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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

20
Dez19

Voltei a ver novelas, será que tenho salvação?

Cláudia Matos Silva

Um dia como tantos outros, sento-me na cama a fazer crochet, faço um bocado de zapping e páro no canal 10. Nem sei porque o fiz, talvez estivesse demasiado focada no crochet e não me sentia exigente em relação ao que passava na tv. Mas em menos de 5 minutos, já olhava menos para a malha e mais para a tela. Uma imagem linda da Patagónia, um  comboio destaca-se no imenso nevão, deixando a descoberto duas mulheres; uma austera e outra chorosa. Não sei o que aconteceu, mas esse é o grande mistério das novelas, têm o condão de nos agarrar quando juramos não voltar a ficar refens de mais nenhuma. Vi em que capítulo se encontrava aquele episódio e na box pesquisei os episódios para trás até ao primeiro. Pronto, estava agarrada e nada mais havia a fazer.

Para piorar a situação, o papel do mocinho foi entregue a uma cara que não me era estranha. Rafael Cardoso,  não é ainda uma super vedeta da Globo, mas tem qualquer coisa que me prende. Serão aqueles olhos rasos de água, a boca carnuda e vermelhusca, aqueles caracois loirinhos, eu sei lá, pelo Rafael Cardoso lá estava eu a ver uma coisa chamada 'A vida da gente' que data de 2011. Ainda por cima uma novela antiga e eu a vibrar como se fosse o último grito da moda do 'telenovelismo'. Ora, hoje, ontem ou amanhã (parece, mas não me refiro à canção do José Cid) uma novela usa sempre 'a vida da gente' para captar a nossa atenção. O guião desta novela, lembra outras que ia apanhando aqui e acolá, quando às vezes me sentava no sofá a enfardar pacotes de bolachas. Apesar de haver sempre um ou outro factor surpresa, as nossas vidas são tudo menos surpreendentes e repetem-se. A vida da gente é sempre a mesma coisa e por isso, dizer que esta novela é uma obra de arte seria empolar em demasia. 

Por qualquer motivo, 'A vida da gente' apanhou-me num dia bom (ou mau dependente da perspectiva), emocionou-me ao tocar em botões que me são sensíveis, e fez-me chorar (acho que andava a precisar disso) e lá vou seguindo a história desta família moderna, reflexo dos nossos dias, das nossas escolhas, para o bem e para o mal, da nossa liberdade.