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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

11
Jun19

Quem quer viajar com a Tânia?

Cláudia Matos Silva

Antes de dizerem aquele simmmm enfático, o melhor é assistirem à conversa com a Tânia Neves porque não falamos propriamente de passeios à Disneylandia.

 

Travelling with Tânia assim se chama o site onde partilha as suas aventuras. Viagens que começaram aos 23 anos, ainda estudante, por itinerários simples e dentro da europa. Em 2016 deu-lhe uma 'mamacoua' qualquer, vendeu tudo e meteu-se dentro do transiberiano. Ficou apenas com uma máquina fotográfica,  que usa quando acredita que deve usar, e não dispara indiscriminadamente por respeito às pessoas e às suas culturas. A Tânia valoriza os momentos e se o uso da máquina lhe parecer descabido naquele instante, prefere guardar aquela memória apenas na sua cabeça. Nem toda a gente pensa assim e essa atitude envergonha-a. Nem sempre gosta de referir que é fotógrafa, pela má conotação dos profissionais nesta área que buscam uma boa chapa e não um bom instante.

 

As viagens da Tânia são assim, uma subida aos céus e por vezes uma descida aos infernos, mas não há dúvidas é toda uma experiência que nos leva a compreender melhor o nosso lugar no mundo. O ego, vaidade ou superficialidade perdem claramente terreno face às adversidades de uma aventura destas, e nessas ocasiões o mundo inteiro mesmo em puro silêncio faz questão de nos lembrar da nossa insignificância. É por isso importante sabermos colocar-nos no nosso lugar e passar pelos locais deixando-os tal e qual os encontramos.

 

A Tânia desenvolve as viagens de autor ou seja desenha itinerários que possam ser viagens autênticas e sustentáveis, numa parceria com a companhia de viagem The Wanderlust.   Tânia é líder de viagens dos seguintes destinos: Transiberiano, Mongólia, Nepal e Vietname. E está quase sempre em viagem com os seus grupos de aventureiros, mudando de fuso horário como quem estala os dedos, e  pronta para o imprevisto porque há sempre qualquer coisa que não corre como esperado. E nessas suas deambulações pelo mundo é preciso dar espaço e deixar acontecer. Diz que nessas altura compra uma embalagem de noodles e aguarda, e não se nota no seu discurso ponta de nervos ou irritação, porque tudo o que acontece faz mesmo parte da experiência. É preciso apreciar a viagem no seu todo. E isso não é para toda a gente.

 

O mais curioso é que a Tânia é muito feliz neste turbilhão, quase não pára em casa (S. Pedro do Sul) e anda sempre pelo mundo a explorar, a conhecer, a conhecer-se, a sair fora de pé, a dar-se ao mundo e a receber muito mundo. Pergunto-me como se pode ser feliz na corda bamba, entre os balanços de um comboio, o cheiro do chulé do vizinho da cama ao lado, os terrenos pântanosos, da poeira, das estradas sem condições, como? O problema é que se plantou na nossa cabeça a ideia de que ser feliz é ter uma casa de campo com um alpendre e uma rede para nos espraiarmos e ver o pôr do sol. Esse pode ser um instante de felicidade, mas a felicidade a sério tem de se procurar, ir atrás e isso dá muito trabalho. Não admira que o mundo civilizado esteja doente e deprimido, esperando que a felicidade lhe caia nos braços e que seja algo garantido à partida, algo inerente à condição humana. E já vimos que não porque nós humanos caminhamos diariamente para a plena infelicidade por mais livros de auto-ajuda que se edite, e que dão excelentes calços para mobiliário descompensado. A felicidade  conquista-se nas coisas simples mas dá uma trabalheira do caraças e a Tânia corre atrás dela todos os dias.

 

Depois de tudo isto quantos ainda querem viajar com a Tânia?