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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

06
Jul20

Que mal há na capa da Vogue PT deste mês?

Cláudia Matos Silva

 

Eu não vejo nenhum. Não vou discutir se a capa é bonita ou feia, mas gosto da pertinencia do tema, saúde mental. Muitas figuras públicas já vieram a público manifestar desagrado com a estética adoptada pela Vogue Portugal para falar de um assunto tão sensível. E têm razão, o assunto é sensível, mas enquanto continuarmos a falar dele como um bicho de sete cabeças as coisas não tendem a melhorar. É importante discutir o tema, portanto neste caso o que me importa mesmo é o conteúdo e não a forma. É uma capa que remete para as terríveis experiências de lobotomia e choques eléctricos relembra a crítica Rita Ferro Rodrigues, é bem verdade. Mas não podemos, nem devemos apagar da história esse facto, e tentar negar ou camuflar não ajuda em nada a problemática da doença mental. Aliás o facto de hoje se usar o termo 'saúde mental' já é uma evolução gigantesca, numa condição que nunca foi bem entendida e que durante séculos e séculos foi alvo de equívocos graves. Ainda hoje paira nas nossas cabeças a inevitável comparação a um doido quando alguém age de uma forma diferente para o seu tempo. E isto remete-me para um livro português baseado numa história real. 'Doida, não e não' de Manuela Gonzaga. Recomendo mesmo a leitura.

 

 

A história real de uma mulher que foi tida como doida por se apaixonar por um homem muito mais novo. Infelizmente a sua institucionalização deu-se com o apoio de pessoas importantes como Egas Moniz que pelos vistos estava mais preocupado em defender os interesses dos seus amigos poderosos do que do real estado da saúde mental dos pacientes. Há inúmeros casos relatados à época de pessoas nestas situações, internadas porque alguém entendia que eram inconvenientes, logo loucas.

 

Leva-me a perguntar, como se mede a loucura? A loucura não é matemática e não há dois casos iguais, como não há duas pessoas iguais. Se a loucura fosse uma equação de matemática secalhar eu nem estaria a abordar o tema, porque não seria tema, mas um facto, uma ciência exacta. Mas este é um assunto tão sensível, melindroso e do qual ainda se conhece muito pouco (apesar da imensa evolução) que acredito exercer temor perante muitos de nós. Não é por acaso que se diz 'nunca se contraria um maluco' porque nunca sabemos o que vai acontecer devido à imprevisibilidade do carácter do demente. Por isso gostava de dizer que este post não é para contrariar a opinião de ninguém, é apenas para tentar desmistificar algo que só por si tem tido ao longo dos séculos muita mistificação. Vamos falar das coisas como as conhecemos, como as sentimos, trocar ideias e perceber que não estamos sós neste terrível estado do loucura colectiva a que o Covid 19 nos está a levar. 

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