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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

18
Nov19

Que mal fizeram as enciclopédias para ninguém as querer?

Cláudia Matos Silva

As enciclopédias, tiveram o seu momento aureo nos anos 70/80. Basta lembrar os vendedores de enciclopédias que nos batiam à porta e com alguma ingenuidade convidavamos o vendedor a entrar em casa, sentar-se à mesa connosco enquanto nos mostrava o catálogo das muitas enciclopédias que tinha disponíveis para vender. Na altura, comprar enciclopédias parecia um bom investimento, como em tempos comprar ouro também foi. Com uma grande diferença, lá se vão encontrando lojas que nos compre o ouro que já não queremos em casa, mas ninguém quer as nossas enciclopédias. Pergunto, que mal fizeram para que o mundo resolvesse recusá-las? Tentei bibliotecas e escolas, alegando falta de espaço, enciclopédias aqui não, dizem. Por sorte encontrei uma feira de velharias e lá deixei um saco do Jumbo com meia dúzias desses calhamaços que pareciam pesar uma tonelada. O vendedor agradeceu, não lhe passou pela cabeça que eu as quisesse vender-lhas, porque ele apesar de as aceitar, também, se vai ver grego para lhes dar um destino. 

 

Não posso acusar o mundo de virar as costas às enciclopédias, quando eu própria as quero de casa para fora. São muito grandes por isso não dá para as ler no comboio ou no metro. O peso com a monstruosa capa dura também desencoraja até os maiores apreciadores de grandes leituras e eu sou mais estilo 'livro de bolso'. O formato, apesar de alguma décadas atrás ser apreciado para enfeitar prateleiras, hoje efectivamente não cabem em lado nenhum e servem apenas para ganhar pó, apesar de no seu interior se encontrarem pérolas de sabedoria do mundo. Há enciclopédias de tudo; do aniverso, da vida animal, do corpo humano, de religião, das sociedades, da evolução da espécie, até de culinária, o Pantagruel é disso exemplo. Na casa de um bom português há um Pantagruel algures esquecido, amarelecido, mas cujo valor continua a ser reconhecido. 

 

As enciclopédias são apenas um dano colateral da evolução tecnológica e mesmo que nem sempre as fontes sejam fidedignas (mas há em insista que o dr google tudo sabe), a cada enciclopédia que tentei despachar, alguém se afastava dela como se estivesse cheia de antrax alegando 'já ninguém precisa disso, agora está tudo na internet'. Não discuto esse argumento mas que mete dó isso mete.

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