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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

14
Mar20

Qual o mistério do papel higiénico esgotado?

Cláudia Matos Silva

Deixem-me dizer-vos que no dia que gravei este video eu estava com uma moral bem mais otimista. Apesar de ter as minhas reservas em relação ao problema que havia chegado a Portugal, consegui articular uns minutos de humor porque acredito que rir é mesmo o melhor remédio.

 

Hoje não estou assim tão bem disposta, bem pelo contrário. E apesar de ter planeado gravar mais um video sobre os melhores memes do corona, para já não me sinto com força anímica para tal. Estou demasiado preocupada com as proporções que uma pandemia pode causar a um país como o nosso, tão pouco preparado para lidar com estas coisas. Eu própria não me sinto preparada porque há habitos que já se entrenharam em mim como por exemplo dar dois beijinhos a uma boa amiga, coçar constantemente o nariz, meter as mãos em tudo e sobretudo (e esta é uma revelação um pouco badalhoca mas verdadeira) eu tenho a porcaria do hábito de espirrar para as mãos. Ainda há pouco o fiz e só depois percebi da má prática e de como seria muito perigoso fazê-lo num local público.

 

Portanto, não vale a pena meter a culpa nos outros. Aliás, no outro dia observei um senhor que arrumando cuidadosamente um carrinho de bebe dentro da viatura espirrou para o próprio do carro do bebe mesmo sem colocar a mão à frente. Aposto que não fez por querer mas porque é um hábito. Todas estas más práticas, passam por uma questão de educação, é verdade. Não somos na generalidade um povo muito educado nem asseado, e isso já vem desde os tempos da realeza e dos senhores que andavam nas barcaças a tentar 'descobrir' meio mundo.

 

Ironia, apesar de se esgotar o papel higienico, nós não somos um povo lá muito limpo. Escarramos para o chão, atiramos beatas para qualquer lado, mandamos bafuradas de fumo na cara uns dos outros, tossimos sem colocar sequer a mão à frente  ou comemos e falamos ao mesmo tempo. No entanto, estoiramos com o stock de papel higienico. O português é mesmo fascinante na sua dicotomia.