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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

18
Jun19

Porque voltei à blogosfera?

Cláudia Matos Silva

 

Por causa do vendaval, o que acontece todos os dias na minha cabeça e me tira horas de sono. Desde que aprendi a escrever fiz dessa arte uma forma de partilhar histórias, não só a minha mas as que oiço, as que intuio, as que me contam e as que invento. A blogosfera é o melhor sitio para dar vazão a esta necessidade que segue a extensão do meu braço, das minhas mãos e dos meus dedos para se traduzir em palavras. É uma arte muito bonita a de saber expressar sentimentos em palavras mas creio que nem toda a gente tem talento para elevar a arte esta forma de expressão. Quando, numa fase de desesperança, observei a minha escrita e me arrepiei de horror, deixar de escrever. Minto, passei a fazê-lo em cadernos com argolas e capa azul escura, uma espécie de diário (coisa que nunca tive grande paciência para dedicar o meu tempo) e que ajudou a expulsar atabalhoadamente algumas das ideias que matutavam na minha cabeça impedindo-me de dormir. Uma espécie de higienização da mente, os cadernos todos rasurados, a letra feia que doi, as canetas nem sempre eram as mesmas nem da mesma cor, quando não havia caneta ia a lápis, tudo servia um só propósito, expulsar o tanto que a minha cabeça produz e na maior parte das vezes não me serve de nada. 

 

Um dia estava a partilhar ideias com um bom amigo e ambos lamentavamos o empecilho que é o nosso perfeccionismo. A maior parte das vezes não fazemos as coisas porque antevemos aquele sabor amargo de insatisfação. E como isso nos custa, porque se ao menos tirássemos os sentidos de todas estas ideias que nos afloram o cérebro?!! Só que não conseguimos de  parar ensimesmar nelas, de imaginar como seria, técnicas para atingir a perfeição, ou o que naquele instante julgamos perfeito para no minuto seguinte acharmos que não vale um chavelho. Então ele disse-me 'às vezes temos de saber ligar o botão cága nisso' e logo me ocorreu voltar aos blogs.

 

Não, não me estou a cagar para a blogosfera mas atentem, entre outros motivos, um dos que levou ao meu afastamento foi perceber que a minha escrita não acrescenta nada, que dou erros, que deixo gralhas pelo caminho, que me escapam acentos e nunca fui grande pistola na pontuação. Esse facto melindrava-me e aos poucos fui-me sentindo cada vez mais dispensável, não só aqui, como um pouco em tudo na minha vida. Porém, activei o tal do botão cága nisso ou quero lá saber, porque há um mundo de gente a escrever tão mal e se eu for apenas mais uma, qual é o problema? As plataformas estão disponíveis para que democraticamente se possam usar, desde o nóbel até ao sapateiro e nada garante que o sapateiro não escreva melhor que o nóbel. Toda a gente pode (e deve escrever), nem que seja para não se esquecer como se faz. E se o médico nos recomenda para a boa manutenção do corpo, uma alimentação saudável, uma caminhada diária de 45 minutos. Então e o intelecto? Quem nos recomenda a sua manutenção? É preciso exercitá-lo ou então toda a evolução da humanidade não serviu de nada.

 

Bem ou mal, eu escrevo, observando o mundo à minha volta e relativizando as imperfeições, aliás abraço-as, porque são elas que me tornam um ser único; no mundo, na minha rua, na minha casa e no meu blog.

 

Obrigada à equipa da SAPO.