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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

16
Jul19

O que têm em comum Maria Leal, Madalena Menezes e Teresa Bettencourt?

Cláudia Matos Silva

A silly season, ou estação parva, é o reino fertil para a Maria, a Leal. Ela aparece a cantar, dizem, em homenagens horripilantes ao Verão, que pelo segundo ano consecutivo teima em andar tímido, ao contrário de Leal, a Maria que continua a martirizar-nos com as suas aparições. É a sina das Marias, elas entram nas nossas vidas tipo alucinação. Quantas vezes  Maria, a mãe do rebelde JC, já apareceu em tudo o que é penhasco por essas aldeias perdidas? Também Maria, a Leal, anda de agenda cheia fazendo aparições por festas e romarias dando vivas ao Verão e dizendo que este ano não vai chover. Mentirosa! Olha que deus castiga.

 

Sabem quem não mente? Aliás, ela diz tudo como os malucos mas de maluca não tem nada, Madalena Menezes. Um tanto tonta, descontraída e fascinada com essa 'nova' ferramenta de ponta chamada facebook. E dedica, às queridas amizades do seu facebook, bonitos videos que têm viralizado. Portanto, mulheres de meia idade pouco formosas e muito seguras buscam o seu papel de influencers nem que seja por 15 minutos, considerá-las concorrentes do 'like me' era muito pertinente. Se a Maria Leal começou esta moda com o apoio de um canal de TV, já Madalena Menezes só precisa de um telemóvel, um polegar torto e uma lingua afiada. Os ingredientes para o sucesso.

 

A primeira vez que fiz um video sobre a Madalena Menezes experimentei  o sabor de ver o número de visualizações crescer. Não há dúvidas, se o mundo adora tolos, as redes sociais devoram-nos.

Depois fiz sobre a Maria Leal e em termos de views o meu canal no youtube deu um valente salto com mais de 25 mil...ceus, o youtube está perdido e as pessoas têm muito mau gosto. Enfim, eu era só mais uma a querer beneficiar da tontice de uma 'wanna be' a artista da música portuguesa. A diferença entre a Maria e a Madalena é flagrante apesar de podermos confundir por serem dois fenómenos que viralizaram nas redes sociais pelo ridiculo, uma espécie de Zé Cabra dos tempos modernos.

 

Apanhei boleia do fenómeno e fiz uma espécie de 'battle' entre Maria Leal e Madalena Menezes. Eu não tinha outro objectivo que não fosse as visualizações e divertir-me um pouco durante o processo. A questão é que acho a Maria Leal uma aberração com requintes de malvadez, no entanto a Madalena para mim é só uma campónia que quer ter graça. Uma mulher que teve uma vida dificil e que agora se encontra num período especialmente feliz e ao que parece as suas queridas amizades do facebook também têm cota parte nisso. Se eu já não aguento o facebook fico contente que ele seja a salvação para a vida de alguém. 

 

Aliás, não é caso único. Dos Açores temos a Teresa Bettencourt que também viralizou com um video caseiro onde se revela uma verdadeira artistas e só não vai mais longe, enfim, porque o seu país não deixou. Está ali talento em bruto...secalhar mais bruto que talento, mas segue as directrizes das protagonistas anteriormente citadas e tem ganho notoriedade e fama de tola. Se isso lhe serve para ser um pouco mais feliz, sejamos felizes por ela também. 

 

O que eu não estava à espera era desta mais recente aparição da Madalena. Tão viciada e viciosa em aparecer, estando nos seus assuntos pessoais, creio tratar-se de montar a estrutura de uma cama, o maroto do irmão aponta-lhe o telemóvel e Madalena virou o cão de Pavlov. Não, não salivou mas começou o seu número de tola para as queridas amizades do facebook. Eu até gosto da Madalena mas acho que desta vez foi um pouco longe na sua performance artística. É verdade que também a Madonna nos 80s tocava no pipi em forma de provocação como quem diz eu sou gaja mas se preciso for tenho-os no sitio. Já Madalena toca toca toca e o dificil é esquecer esta imagem, que irá atormentar-nos para toda a eternidade. Apesar de parecer ordinária aquilo que ela quer dizer é bem claro, não se enganem isto que está aqui é meu e lá porque vos estou a mostrar só mete a mão quem eu entender. É uma mensagem bem válida, numa altura em que as mulheres reclamam o direito sobre o seu próprio corpo, nunca tinha pensado na Madalena como uma activista.

 

No fundo, tolos somos todos nós, ela só se diverte e não se cansa de dizer 'eu sou eu, antes não era eu'. A Madalena Menezes encontrou-se, oxalá muitas de nós tivessemos a fortuna de sabermos quem somos e fazermos disso gala.