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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

08
Ago19

O que é que se faz no Fundão?

Cláudia Matos Silva

Descansar.

 

Marcar férias no Verão em Portugal é complicado para quem não gosta de estar ladeado por outros turistas. Eu cá prefiro os locais, sentir que as suas vidas se mantém à minha passagem, ou dias de normalidade só que mais quentes. É isso que busco na época balnear em que todo o mundo corre para as praias, enfrentando alegremente as filas; no trânsito no estacionamento, no wc, no restaurante e se tudo correr bem lá se há-de encontrar um buraquinho para estender a toalha sem levar com uma bola perdida na tola.

 

Não é o cenário que nos agrada, esse de veraniantes entupindo acessos às praias, por isso fugimos para os destinos de quem toda a gente foge por estas alturas. No Fundão não se passa nada, e nem cerejas lá encontrámos, apesar de ser ingrediente em muitos produtos tipicos, incluindo o pastel de cereja que é uma deliciosa iguaria. Na tasquinha junto à estação de comboio encontrei outra perdição, a famosa sandes de bacalhau. Não é por isso de estranhar que muitos locais se dirijam ao estabelecimento de marmita em riste para trazer tal petisco.

 

No fundo não estavamos à espera de nada de especial no Fundão, talvez por isso tenhamos ficado tão agradavelmente surpreendidos. Deambular sem destino, numa atitude que nos é tão caracteristica do 'deixar andar', descobrimos que há no Fundão e em torno dos lugarejos circundantes uma vontade de valorizar as gentes e o património. Descobrimos que aos poucos a arte urbana vai dando vida a edificios devolutos ou graffittis que pretendem reforçar a identidade deste povo.

Comemos rojões no restaurante Fiado em Janeiro de Cima e adorámos o modo como fomos recebidos, e sim a comida é bem tradicional, ao ponto de ficarmos com uma certa lanzeira depois da refeição . Fomos à praia fluvial esticar um bocadinho. Um local cuidado e enfeitado com pedaços de crochet que se estendem pelas árvores em torno da praia. É terra de fiadeiras e por isso nos deparamos com algum património desta arte manual tão típica na zona. 

 

Subimos a Serra da Gardunha e avistámos um pequeno grupo de caminheiros motivados. Ainda tinham tanto que andar mas nem o calor nem a distância os demovia e sorriram-nos quando passamos de carro.

 

E quase no final, por ideia minha, fomos às minas da Panasqueira. Não sei porquê mas acho que gostei do nome Panasqueira. Havia alguma expectativa, talvez encontrar minas visitáveis, em vez disso uma paisagem estranha que nos confundiu. Mesmo atrás da aldeia de São Francisco de Assis ergue-se um enorme mono de entulho. Pela estranheza do cenário ficamos sem saber se a vista nos agradava ou não. Mas instigou tanto a minha curiosidade que mal cheguei ao quarto do hotel logo me prendi ao youtube para saber mais da história das minas em Portugal. Por isso já valeu a pena.