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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

01
Fev20

O que é que os sonhos nos querem dizer?

Cláudia Matos Silva

 

Há quem não lhes dê muita importancia, há até quem acorde atordoado e resuma tudo o que sonhou como algo sem sentido. Mesmo quando não compreendo o sonho, eu sei que ele me quer dizer qualquer coisa, porque tudo fica guardado na nossa psique. Durante a noite noite quando estamos com as defesas em baixo, o nosso cérebro aproveita para organizar em gavetas devidamente etiquetadas as nossas vivencias, impressões, pensamentos, sentimentos e tanto mais que faz de nós aqueles seres únicos, ideia que a malta dos discursos motivacionais adora pregar 'TU ÉS UM SER ÚNICO'. Eu por acaso sei disso e às vezes dava-me imenso jeito não ser assim tão única porque fica dificil comunicar com a maior parte das pessoas. Sinto-me uma extra-terrestre e se até uso isso a meu favor para fazer humor, a maior parte das vezes causa-me angústia e desconforto. E é nos sonhos que estas angústias desaguam.

 

Eu sonho muito, tanto, imenso, em demasia até. A maior parte das vezes não me lembro deles, ou conforme os minutos vão passado o sonho vai-me escapando da memória e isso chateia-me. Às vezes tento retê-lo à força na memória mas parece que me escapa numa brincadeira de gato e rato. Não acho graça nenhuma. 

 

Desta vez agarrei o sonho com as próprias mãos. Anda cá, não fujas, disse-lhe, ao sonho. E ele ficou sossegadinho para que eu pudesse rever, vezes sem conta como quem vê um filme numa tela gigante. Ali estava eu, num quarto de hospital, vestida com uma bata e caminhando de um lado para o outro. Ao meu lado estava o Sérgio, alguém que sigo no instagram e com quem partilho algumas inquietações sobre esta coisa de ser 'youtuber'. Continuo a caminhar de um lado para o outro e faço perguntas ao Sérgio, digo-lhe que sinto uma pressão na bexiga e ele aconselha-me a continuar a andar, é normal, o bebe está a ganhar posição para encaixar. Hum? Eu estou grávida? Olho por mim abaixo e sim estou gravidissima, o Sérgio não é o pai, e creio que esta será uma gravidez ao estilo 'espírito santo'. Sinto-me toda encharcada da cintura para baixo, o Sérgio desaparece do sonho, eu vejo-me numa sala com as pernas levantadas. Há muita luz naquele sitio, eu tento perceber o que se passa entre as minhas pernas e o que vejo de lá sair é inacreditável. Como se fossem bolas de sabão; leves, coloridas, frágeis mas são na verdade, bebés. Consigo contar uns 3, ali pairam como um balão que está agarrado por um cordel para não fugir.  A uns metros das minhas entranhas continuam a pairar aquelas crianças que supostamente sairam de mim com uma harmonia incrivel, como se parir fosse pura poesia. 

 

E poderão dizer que este sonho é uma parvoice mas não é, garanto. Na minha cabeça dar a luz é só das coisas mais terriveis que há, terriveis no pior dos sentidos. Não se choquem, mas não vejo beleza alguma entre visceras, sangue, suor, dor e uma vagina rasgada até sabe-se lá onde. Talvez este sonho só quisesse desmistificar este meu preconceito, dizer-me que pôr alguém no mundo é a mais bonita missão de uma mulher. No meu consciente tomei a decisão de não ser mãe mas há duvidas que estão guardadas no subconsciente e é nos sonhos que essas duvidas se vão manifestando, como quem acena o relógio 'tic tac' já não tens muito tempo.  Eu sei que o tempo está a fugir-me mas eu não quero e não posso ser mãe, ok?!