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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

12
Nov19

O que aconteceu quando me pediram para tirar os sapatos?

Cláudia Matos Silva

Das duas vezes que aconteceu, tirei mas por delicadeza.

 

A primeira vez, talvez tivesse uns 12 anos, ia fazer um trabalho escolar a casa de uma colega e antes de entrar, é-nos imposto que nos descalcemos. Tentei perceber o porquê, nunca me tinha ocorrido tal coisa. Mesmo desconfortável com a situação, deixei os meus sapatos à entrada. Aliás eu e os outros colegas fizemos daquelas entrada uma feira do chulé. Soube depois que a mãe da minha coleguinha tinha esse hábito por questões de higiene e hoje tendo em conta que também eu limpo a casa, até me parece muito bem. Mesmo assim, nunca mais quis voltar a entrar naquele sitio. E mesmo hoje detestando limpar o chão, seria incapaz de pedir a alguém para tirar os sapatos para entrar na minha casa.

 

Mais tarde soube que em algumas culturas se usa esse hábito, não só por higiene, mas pelas próprias energias que trazemos da rua e que se instalam no calçado. Entendo, até porque é a primeira coisa que faço quando chego a casa, toda eu me dispo e descalço do que trago da rua, mas não por uma questão religiosa ou higienica mas de conforto. O pijama e os chinelos ainda são para mim o melhor outfit do mundo. Acho que já mais malta se apercebeu disso, assim se justifica a variedade de pijamas nas lojas, cada vez mais divertidos, originais, confortáveis, práticos e utilitário...sim alguns dá mesmo para levar para a rua sem que ninguém saiba que é um pijama. Não nego, adoro levar o pijama a passear à rua, mas esse dá outro post.

 

Da segunda vez que me pediram para tirar os sapatos antes de entrar em casa, em não reagi tão bem. Já tinha chegado aos 40 e sabendo que a pessoa em questão não é especialmente religiosa nem asseada fiquei meio congelada com os pés colados ao tapete e olhos arregalados. Logo me apresentaram uns chinelos enquanto eu tentava lidar com aquela informação na minha cabeça. Do alto do meu mau feitio tive vontade de mandar-lhe com os chinelos na tromba e virar costas . Não gosto de ser forçada a nada e até era provavel que com o avançar dos minutos eu própria optasse por me querer descalçar para ficar mais confortável. Seria uma decisão minha, tal como é uma decisão de quem quiser vir cá a casa, manter-se calçado ou descalço.

 

Como se não bastasse o casal é vegetariano e enfim, apesar de eu que sou muito boa boca, senti que nada do que me entrava no estômago me saciava. Descalça e com fome, uma sensação de impotência. Queria manter as aparencias (o que raramente acontece mas naquele dia deu-me para isso), eles tinham planeado um jogar ao monopólio (não queria ser estraga prazeres) e eu entrei no jogo (já que estava numa de 'mamar a bucha'), descalça e com fome. Que giro foi o jogo, adoro monopólio, ainda mais com pessoas bem dispostas e algumas até um bocado competitivas. Correu bem, mas mesmo no meio daquele momento tão bem passado, eu só sentia que queria calçar os meus sapatos, bazar o quanto antes e não voltar a entrar naquela casa. E não voltei a entrar, mesmo.

 

Entretanto o casal tem uma casa nova, já nos convidou para lá irmos, mas como já lhes ofereci de bandeja a minha dose extra de frete (nem sabia que o tinha), tenho andado com aquelas respostas de 'temos de ver isso' que para não me conhece, mas assim fica acontecer, é um redondo NÃO.