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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

13
Jun19

Então foste aos santos?

Cláudia Matos Silva

Não, não fui.

 

Nada contra a festa com bandeirolas coloridas, marchas e seus marchantes todos engalanados, os arcos decorados, os balões pendurados, a batucada nem sempre no compasso, os cantos às vezes desafinados, o mangerico viçoso, a sangria augada, a bifana com um molho gorduroso e a sardinha assada a cuspir sal pelas órbitas. É uma celebração que espelha na perfeição a história de um Portugal cheio de tradição, cujos adágios populares ainda hoje ecoam; a mulher quer-se pequenina como a sardinha, já sobre o homem pequeno diz-se que é velhaco ou bailarino. 

 

Os turistas andam doidos com Lisboa, como se a cidade se tivesse transformado numa bela adolescente, cheia de marotice, a quem todos querem deitar o olho. Apesar de Portugal ser muito mais do que uma capital, com diversas paisagens, realidades diferentes mas todas ricas, num só rectangulo à beira mar plantado, a verdade é que a multidão concentra-se em Lisboa. E a nossa linda Lisboa está um absoluto inferno para os lisboetas, a cada dia que passa são cuspidos borda fora e forçado a mudar de margem, que só por acaso, continuo a acreditar que a sul se encontra a margem certa do rio tejo. 

Lembro há uns anos ter estado em Barcelona, cidade que toda a gente me havia referido como absolutamente deslumbrante e eu vim de lá com uma camada de nervos, tomando à letra as palavras que encontrei algumas vezes grafitadas nas paredes da cidade; 'tourists go home' e eu queria realmente voltar para casa, um pequeno ninho suburbano a que chamo lar. Passei a dispensar destinos pejados de turistas e encontrei um prazer enorme em palmilhar o Portugal ainda por explorar. Como se tivesse encontrado um plano B que me permite apreciar pequenas escapadinhas aqui e acolá mas sem ter de ir para onde toda a gente vai ou sem ter de fazer o que toda a gente faz. Neste processo sinto-me como a enguia, escorregadia, a tentar escapar às multidões; quer na praia ou no campo, na cidade ou na aldeia, nas festas ou bailaricos, em Portugal ou no estrangeiro. 

 

Os santos populares costumava ser por excelencia  a festa da sardinha assada, hoje é mais da sardinha enlatada. No percurso entre bairros não se consegue estar sem, pelo menos no que eu concebo como estar, apreciando a festa em toda a sua tipicidade. Agora tudo é mais para inglês ver e consumir. 

Por tudo isto eu prefiro viver os santos na paz do meu lar, e apesar de dizerem que santos da casa não fazem milagres, aqui nem a sardinha faltou. Tudo concentrado numa lata de sardinhas em tomate, numa marca que acabei de descobrir, ALVA. Não nego, o que me apaixonou foi mesmo o preço, uma lata por menos de 70 cêntimos e três boas lascas de sardinha, como resistir? Para minha alegria ALVA é producto nacional e pertence ao grupo da Minerva e Galeão, entre outros. A fábrica é a Poveira existe desde os anos 20 do século passado mas só recentemente teve a possibilidade de se modernizar, ultrapassando períodos críticos a que muitas conserveiras não resistiram.

 

A sério que este post não é patrocinado pela Poveira mas com a quantidade de latas que tenho comprado e consumido merecia um presentinho desta conserveira. Upa upa.

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