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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

20
Jun19

Como captar a atenção de um possível empregador?

Cláudia Matos Silva

 

 

Bom, é uma técnica que já partilhei com algumas pessoas em privado e faço-o hoje publicamente. É preciso ter em conta alguns aspectos. O candidato precisa de uma boa dose de loucura (saudável), confiança no percurso profissional desenvolvido até ao momento, ter forma de o comprovar quase inequivocamente e é obrigatório ser uma mente criativa. Para jogarem seguro não podem estar absolutamente desesperado por um emprego. Até porque esta abordagem que irei expôr não é para um lugar na fábrica das salsichas ou para servir bicas num quiosque no cais do sodré. Para estes cargos é melhor usarem os métodos de envio de cvs tradicionais.

 

Aquilo que vou expõr serve para áreas em que emprego e lifestyle se fundem, em que a pessoa não revira os olhos cada vez que chega a segunda-feira ou que esfrega as mãos de contente à sexta-feira porque sabe que é fim-de-semana. O truque, e verão que é tão básico, que aqui será revelado é para quem ama a sua área profissional, para quem corre por gosto e não cansa. Para quem às vezes precisa deum puxão de orelhas dos amigos porque nunca arranja tempo para beberem café. 

 

Nem toda a gente está na condição de viver em função do trabalho porque para muitas pessoas o trabalho serve apenas para ganhar dinheiro. Mas depois há uns malucos como eu que adoram as suas profissões e quando forçados a deixar de as exercer sentem o vazio que resvala para o princípio da depressão. Apesar do governo nos atirar à cara números muitos animadores com os níveis de desemprego a baixar todos os anos, eu posso garantir (mesmo sem ter os números na mão) que é mentira. O que se passa é que muitas pessoas, provavelmente alguns da minha faixa etária, nem sequer estão inscritos logo é como se não existissem, portanto não entram na estatística. Eu, por exemplo, não faço parte da estatística e sinto-me revoltada por cada notícia que avança com o aumento do emprego, porque se há coisa que não há neste país é emprego. A não ser que queiras ser operadora de call center, comercial ou lojista. Infelizmente não reúno talentos para nenhuma dessas funções.

 

É muito triste perceber que miúdos de 30 anos são já considerados 'velhos' para algumas funções e digo-o porque falo com essas pessoas que me garantem ter sido despedidas para que alguém mais jovem viesse ocupar o lugar. O problema dos 30 anos, é que apesar da juventude estar na sua maior força a nível criativo e de resistencia física,  o individuo já tem condições para apontar o dedo a injustiças, impor-se em momentos de pressão, opinar quando as coisas não correm de feição, no fundo defender-se. E chegamos no ponto fulcral, o motivo que me levou a não enviar CVs, jamais. É que eu quero puder defender-me de um possível inimigo/pessoa de má fé, e por isso não posso enviar os meus dados pessoais para uma instituição cujas intenções não são claras. O que farão com os meus dados, com a minha informação, no fundo o que farão comigo sem que eu tenha conhecimento?

 

A ficha caiu-me quando há uns anos uma boa amiga contou-me de um esquema em que se viu envolvida quando enviou uma resposta a um anúncio no net empregos. A empresa era uma farsa, já tinha mudado de nome dezenas de vezes e operava há mais de 10 anos em Lisboa e sempre na mesma morada, a fomosa Rua Alexandre Herculano nº 2 - 1 dto.  Fiquei bastante chocada ao perceber que deixou de ser seguro enviar uma simples candidatura para um emprego. Num cenário negro, onde escasseiam as ofertas de emprego, a surgir algo aparentemente  estimulante e sério, como diabo vou mostrar-me, dizer-lhes que existo, que sou exactamente o que eles procuram?! Foi quando há uns tempos alguém me enviou o link de uma proposta, parecia escrita para mim de tão perfeita, mas mesmo assim não me empolguei em demasia. E aqui entrego-vos a minha táctica e espero que vos dê muita sorte.

 

Enviei um simples e-mail para o endereço disponível no anúncio dizendo qualquer coisa como (e não tenho nada a esconder);

Olá, sou a Claudia , licenciada em ciências da comunicação, tenho 42 anos de idade, 20 anos de experiência como locutora de rádio (Rádio Amália, Capital, Oxigénio, entre outras) e cronista em revistas de lifestyle (DIF, Parq). Para terem acesso a algum do meu trabalho basta clicar.

Aguardo resposta,

Claudia Matos Silva

 

Seca que nem um carapau. Directa ao ponto, sem 'nanana', ou 'caros senhores' ou o raio que os partam a todos. Querem alguém com valência aqui estou eu, sem espinhas. Só isto e mais não é preciso. Lembro num dos casos o empregador contactou-me porque supostamente havia esquecido de colocar o número de telemóvel. Eu não esqueci, eu não coloquei deliberadamente porque podem crer, quem estiver interessado vai arranjar maneira de chegar até vocês. Quem não responder só vos está a facilitar a tarefa e assim ninguém perde o seu tempo.

 

Depois havia muito para dizer sobre a minha contratação e como correu a minha experiência. Mas é assunto para um próximo post.