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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

01
Nov19

Ao que sabe chuva na sopa?

Cláudia Matos Silva

Aposto que nunca tinham pensado nisso. Em tão estranha combinação, chuva na sopa, mas a propósito de quê?

 

Não é nenhuma metáfora ou adágio popular, foi factual, nós comemos uma sopa de legumes enquanto nos chovia em cima. A sensação que retiro desse momento foi reparador, não para o cabelo mas para a alma. Descomplicar, apreciar momento, não criar ondas nem mau estar. Viver.

 

Mas vamos lá dizer as coisas como elas são. Não choviam 'cães e gatos', era a chamada chuva molha 'parvas', eramos duas, com muita vontade de ouvir e falar, na partilha de boa energia, na construção de um momento bonito que vou querer repetir sem qualquer pressão.

 

A chuva fininha foi caindo, ora mais atrevida ora mais tímida, mas a nossa conversa fluiu com a naturalidade da própria chuva. Podiamos ter-nos resguardado dentro do café, apesar de não ter mesas vagas, aposto que haveria quem não se importasse de partilhar a mesa connosco. Talvez a experiência também não tivesse sido má se optassemos por ficar debaixo de telha. Quem sabe desse para contar uma outra boa história. Mas desta forma e com chuva a cair-nos dentro da tigela da sopa houve poesia. E fazer poesia acontecer no quotidiano é uma das grandes fortunas que o ser humano tem e nem sequer se dá conta. Não é preciso ser poeta para fazer estes momentos acontecer.  A prová-lo nós fizemos poesia acontecer num suburbio onde o metro de superficie passava interrompendo a conversa pelo barulho intrusivo. E isso também, à sua maneira, foi poetico. Obrigada Sofia

 

Já agora sigam-na no youtube porque ela tem muito mais a ensinar que eu.