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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

20
Fev20

Vale a pena ter um podcast?

Cláudia Matos Silva

Para quem tem coisas a dizer, sim.

A rádio e os seus gloriosos dias passam agora por uma enome provação. A rádio é ouvida ou por idosos ou preguiçosos. A nova geração não tem paciência para esperar, esperar pela sua música favorita do momento, para a conversa do locutor sobre o tempo, para as interrupções das notícias, especialmente quando conseguem tudo através do Spotify. Ainda há muita gente que não aderiu ao spotify por não compreender o que é, mas eu explico; é uma rádio mas sem aquelas tretas todas que nos obrigam a ouvir. É uma rádio em que nós próprios somos os djs de serviço, onde criamos playlists para todos os momentos e estados de espírito e onde podemos também ouvir programas, os tais dos podcasts. 

 

O podcast não é coisa nova, há mais de 20 anos tive os meus primeiros podcast, ainda me lembro, OPA - ONDA PORTUGUESA NO AR - hoje acho o nome terrível, mas servia um público em busca das novidades da música nacional. Um podcast é um programa de rádio falado mas....disponível a qualquer hora. As regras impostas pelo formato radiofónico já não se aplicam ao nosso lifestyle e por isso a rádio lá vai combatendo as dificuldades trazidas pela evolução supersónica da tecnologia, tentando a todo o custo apanhar o seu público. É justo dizer que a rádio hoje corre atrás das pessoas para que não a abandonem, tendencia bem diferente nos 80s e 90s quando, nós, o público, não largavamos a rádio porque queriamos ouvir aquele programa, aquela música ou aquele locutor.

 

Acreditem dizer-vos isto entristece-me mas ao mesmo tempo não posso negar os factos, a minha profissão, locutora de rádio, no formato em que hoje se apresenta, está em vias de extinção. Por isso, tenho-me mantido sempre em cima do que é a actualidade criando conteúdos como o meu canal no youtube e agora um podcast, porque eu tenho sempre coisas a dizer:)

Chama-se MACACOS ME MORDAM e não tem um tema, uma linha, uma agenda, um livro de estilo....nada. Producto crú, eu, o meu telemóvel e uma mão cheia de ideias que às vezes levam a algum lado, outras vezes baralham-se, perdem-se, confundem-se e confundem-me.

 

Ao longo deste post devem ter reparado que o fui polvilhando com as ligações para cada um dos episódios já disponíveis. Os mais conservadores é melhor ficarem a ouvir a RFM ou a Comercial.

19
Fev20

Ao que soube 'Sex, lies and videotape'?

Cláudia Matos Silva

 

...soube-me a  nostalgia.

 

Um dos meus filmes favoritos, não o via há anos, e numa de retomar velhos hábitos, fui à minha prateleira de velhos DVDs e escolhi deliberadamente 'sexo, mentiras e video'. O que despoletou esta vontade foi James Spader, de quem alguém me terá falado a propósito de 'TUFF TURF', um teen movie de 1985. O filme pode ser visto integralmente no youtube mas ao contrário do que me disse o meu amigo Austríaco, não o considero uma 'masterpiece'. Tem no entanto o James Spader que enquanto homem está tão bem compostinho que sim, naquele idos 80s e 90s era um pedaço dos ceus, sim dos ceus, que o rapaz ainda por cima é de relações longas e super dedicado à família.

 

 

Lembro na altura em que estreou 'sexo, mentiras e video', toda a gente aguardava 'fodanga' valente ainda na senda do 'império dos sentidos' mas tal não aconteceu. Não se vê um mamilo, uma nádega, não há sexo neste filme...mas remete-se para a importancia que ele tem na nossa vida. E tudo depende do contexto, às vezes é preciso mostrar, ser explícito, roçar até no badalhoco, outras não. 

 

 

Steven Soderbergh, investiu tudo num bom guião e num bom elenco, tudo o resto revela um filme de baixo orçamento, mas nem esse aspecto o prejudicou na hora de receber uma série de prémios importantes por 'sex, lies and videotape' inclusive em Cannes. Quem diria que Steven, o realizador que faz filmes independentes virasse o jogo para produções de grande orçamento como 'Ocean's 11' e respectivas sequelas?! Bom, uma pessoa tem de começar por algum lado e creio que 'sexo, mentiras e video' foi a grande escola do realizador Soderbergh. E actores como James Spader, Andie Macdowell ou Peter Gallagher, todos com carreiras lançadas, aventuraram-se numa produção tão pobrezinha mas ao mesmo tempo tão grandiosa...é ainda hoje um dos meus filmes favoritos e tive a certeza quando o revi. 

 

 

Mais de 20 anos após a primeira vez tive uma nova percepção da história. O que eu julgava ser uma casualidade, não quero 'spoilar' para quem ainda não viu, agora pareceu-me deliberado. O personagem de Spader, o solitário e introvertido Grahm, não apareceu em cena ingenuamente como me fez acreditar há 20 anos atrás. Delicado, reservado, regressa à sua cidade Natal com um plano, uma malícia que nunca tinha visto. Porque a vida nos vai ensinando que nada acontece por acaso e Grahm foi na verdade ajustar contas com o passado e eu só agora vi isso. Quando revir 'sexo, mentiras e video' daqui a 20 anos que outras percepções terei?

09
Fev20

Como lidar com os 'haters'?

Cláudia Matos Silva

Ignorá-los é realmente a mais eficaz arma de quem se vê atacada por eles. Porque aquilo que um hater realmente precisa é de atenção, a atenção que ninguém lhe dá no mundo real, e que busca virtualmente espalhando o terrorismo psicológico. 

 

O hater geralmente aparece quando fareja sucesso. E eu que me tenho congratulado de não ter haters no meu canal, quem tramou a gordinha, devo dizer que começaram agora a chegar com o video 'Quem tem medo de Joacine Katar?' que já ultrapassou a assinalável marca das 20 mil visualizações e que para o bem da minha conta, já me está a valer uns tostões. Tenho de agradecer a todos os maravilhosos haters por isso, apesar de não deixar que os seus comentários sejam aprovados. Uma pena, não é?

 

Imagino o hater a espumar para o teclado, escrevendo algo tão odioso para depois aparecer a mensagem 'o seu comentário está para aprovação' e depois pumba, não é aprovado. Tenho pena porque deram o seu melhor na arte de odiar e nem nisso conseguem ser realmente bons porque...eu não deixo. Claro que não deixo passar comentários odiosos à minha pessoa, é como se estivesse a abrir a porta de minha casa a alguém que fosse para lá falar mal de mim.

 

Mesmo sabendo que muitos dos comentários odiosos não têm pés nem cabeça, alguns com erros ortográficos e tudo (e isso é inaceitável), escritos por pessoas que não dão nem nome nem rosto e que se limitam a tentar ofender gratuitamente quem (ao contrário deles) dá a cara e se revela num bom momento de especial criatividade, mesmo assim não vou negar, ter de ler algumas coisas custa. Mesmo tendo o prazer de as apagar, magoam. Mesmo sendo mentira, deixam marca. Mesmo sendo pura inveja, melindram. Mas esta é a parte que os haters não têm de saber.

 

Xiu, os haters não tem de fazer ideia do que pensamos deles, e isso elouquece-os. Não obterem qualquer resposta, serem total e absolutamente ignorados é de os deixar a odiar-nos ainda mais. E no fundo é o ódio deles que continua a alimentar o nosso trabalho, infelizmente, mas é assim que funciona. Eles odeiam, nós ignoramo-los e continuamos a fazer o nosso melhor trabalho. E assim se aplica a sabedoria do povo 'os cães ladram e a caravana passa'.

03
Fev20

Que tal o filme do Bruno Aleixo?

Cláudia Matos Silva

Eu gostei bastante. Foi uma hora e tal bem passada mas não se pode dizer surpreendente. Quem conhece o fenómeno Bruno Aleixo reconhece o humor e admira os guiões que não têm jeito nenhum, irá gostar porque está lá a formula criada pelo João Moreira.

 

A maior parte das vezes tudo se resume ao personagem Bruno Aleixo e à sua personalidade extremamente irritante, já para não falar da voz. Ninguém pode ter aquela voz, pensamos. Mas há um jovem de seu nome João, criador do Bruno Aleixo, natural de Coimbra, que é o real detentor da mais irritante voz de todos os personagens possíveis e imaginários. Ele fala mesmo assim (apesar de dizer que exagera para o personagem) e desconfio que é tão ou mais chato que o próprio personagem. 

 

 

Quem gosta do Bruno Aleixo, desde os primórdios do youtube, vai gostar do filme porque basicamente é mais do mesmo. Apesar de entrarem actores de método como o Adriano Luz ou o Rogério Samora dobrados com as vozes do Bruno Aleixo e o homem do Bussaco. São momentos inesperados e surreais e perguntamos como terão convencido um elenco tão fantástico como o Gonçalo Waddington, José Raposo ou João Lagarto a entrar nesta aventura tão palerma. Terão recebido um cachet de luxo? - não me parece. João Moreira explica que alguns dos actores não conheciam o fenómeno Bruno Aleixo e mesmo assim saltaram logo para o projecto. Bom, de génio e louco todos temos um pouco e estes actores foram às cegas conduzidos por um grupo de guionistas completamente subjugado às vontades do irritante e comichoso Bruno Aleixo. Foram loucos é verdade, mas em nada melindra as suas carreiras já devidamente cimentadas.

 

Direi que este filme é uma loucura saudável, uma parvoice mas das que faz bem ao coração. Um projecto que tem eco em Portugal e no Brasil, sem que ninguém entenda bem porquê. João Moreira tem mãe brasileira mas creio que isso não valerá de muito na hora de entender o impacto que o conceito Bruno Aleixo teve no Brasil. Aliás, o filme estreia em Portugal e no Brasil, tomara muitos.

 

O filme recomendo-o a quem já familiarizado com o formato quer no youtube ou na sic radical, caso contrário, deixem-se ficar e esperam pelo filme num desses sites macacos que nos deixam ver tudo em streaming. Apesar de popular o filme do Bruno Aleixo não é para toda a gente.

02
Fev20

Já ouviram falar no Dolly Parton Challenge?

Cláudia Matos Silva

Tem sido o assunto dos últimos dias, aliás já vamos com mais de uma semana e o assunto continua a pingar. A questão é que não se entende lá muito bem o porquê de todo este sucesso, mas é algo que viralizou e no qual a maioria dos cibernautas se quiseram envolver partilhando memes onde revelam fotos dos seus perfis referentes às principais redes sociais do momento, Linkdin, Facebook, Instagram e Tinder. Deixo-vos aqui o nosso video do canal e se acharem por bem subscrevam e gostem muito:)

01
Fev20

O que é que os sonhos nos querem dizer?

Cláudia Matos Silva

 

Há quem não lhes dê muita importancia, há até quem acorde atordoado e resuma tudo o que sonhou como algo sem sentido. Mesmo quando não compreendo o sonho, eu sei que ele me quer dizer qualquer coisa, porque tudo fica guardado na nossa psique. Durante a noite noite quando estamos com as defesas em baixo, o nosso cérebro aproveita para organizar em gavetas devidamente etiquetadas as nossas vivencias, impressões, pensamentos, sentimentos e tanto mais que faz de nós aqueles seres únicos, ideia que a malta dos discursos motivacionais adora pregar 'TU ÉS UM SER ÚNICO'. Eu por acaso sei disso e às vezes dava-me imenso jeito não ser assim tão única porque fica dificil comunicar com a maior parte das pessoas. Sinto-me uma extra-terrestre e se até uso isso a meu favor para fazer humor, a maior parte das vezes causa-me angústia e desconforto. E é nos sonhos que estas angústias desaguam.

 

Eu sonho muito, tanto, imenso, em demasia até. A maior parte das vezes não me lembro deles, ou conforme os minutos vão passado o sonho vai-me escapando da memória e isso chateia-me. Às vezes tento retê-lo à força na memória mas parece que me escapa numa brincadeira de gato e rato. Não acho graça nenhuma. 

 

Desta vez agarrei o sonho com as próprias mãos. Anda cá, não fujas, disse-lhe, ao sonho. E ele ficou sossegadinho para que eu pudesse rever, vezes sem conta como quem vê um filme numa tela gigante. Ali estava eu, num quarto de hospital, vestida com uma bata e caminhando de um lado para o outro. Ao meu lado estava o Sérgio, alguém que sigo no instagram e com quem partilho algumas inquietações sobre esta coisa de ser 'youtuber'. Continuo a caminhar de um lado para o outro e faço perguntas ao Sérgio, digo-lhe que sinto uma pressão na bexiga e ele aconselha-me a continuar a andar, é normal, o bebe está a ganhar posição para encaixar. Hum? Eu estou grávida? Olho por mim abaixo e sim estou gravidissima, o Sérgio não é o pai, e creio que esta será uma gravidez ao estilo 'espírito santo'. Sinto-me toda encharcada da cintura para baixo, o Sérgio desaparece do sonho, eu vejo-me numa sala com as pernas levantadas. Há muita luz naquele sitio, eu tento perceber o que se passa entre as minhas pernas e o que vejo de lá sair é inacreditável. Como se fossem bolas de sabão; leves, coloridas, frágeis mas são na verdade, bebés. Consigo contar uns 3, ali pairam como um balão que está agarrado por um cordel para não fugir.  A uns metros das minhas entranhas continuam a pairar aquelas crianças que supostamente sairam de mim com uma harmonia incrivel, como se parir fosse pura poesia. 

 

E poderão dizer que este sonho é uma parvoice mas não é, garanto. Na minha cabeça dar a luz é só das coisas mais terriveis que há, terriveis no pior dos sentidos. Não se choquem, mas não vejo beleza alguma entre visceras, sangue, suor, dor e uma vagina rasgada até sabe-se lá onde. Talvez este sonho só quisesse desmistificar este meu preconceito, dizer-me que pôr alguém no mundo é a mais bonita missão de uma mulher. No meu consciente tomei a decisão de não ser mãe mas há duvidas que estão guardadas no subconsciente e é nos sonhos que essas duvidas se vão manifestando, como quem acena o relógio 'tic tac' já não tens muito tempo.  Eu sei que o tempo está a fugir-me mas eu não quero e não posso ser mãe, ok?!

30
Jan20

Será que devemos ter todos os dentes branquinhos e direitinhos?

Cláudia Matos Silva

Uma questão que se levanta com o comentário que a Cristina Ferreira fez à ministra da saúde Marta Temido, sobre o facto dos seus dentes serem desalinhados. O video desta semana é um pouco menos parvo que o costume porque falo honestamente e exponho a minha real opinião, o que nem sempre acontece nos videos deste canal onde reina a sátira. O assunto em questão é-me sensível porque ao ver-me rodeada de pessoas com dentes impecáveis fico com a sensação de que estou deslocada ou que posso ideia de desleixo. Após algumas conversas com dentistas percebi que não, não há nada de errado com os meus dentes nem com os da ministra da saúde, Marta Temido. Quem não se sentir bem com os seus que os corrija, os meus enquanto assim estiverem para mim estão muito bem.

 

Espero que gostem do video e não se esqueçam de subscrever o canal, tá bem?

29
Jan20

Porque te pintas?

Cláudia Matos Silva

- Para ficar bonita.

- E porque não ficas?

 

Era uma paródia dita cá em casa, como tantas outras que juntas davam um livro, e que ajudaram a tornar a minha infância e adolescencia menos cinzenta. 

 

 

O post não é sobre infância ou adolescencia mas sobre o facto de eu ter voltado a maquilhar-me. Sinceramente achei que não voltaria a fazê-lo e nem sei ao certo os motivos, mas são vários. O primeiro é porque não sei maquilhar-me, por mais tutoriais que veja tudo me parece dificil mesmo quando dizem que é fácil. Depois sou demasiado preguiçosa e não me parece fazer sentido maquilhar-me para ir ao Pingo Doce. E há muitos mais motivos que devido à preguiça não vou mencionar, aliás, eu não sou mais presente neste blog pelos mesmos motivos pelos quais não me maquilho; não acho que escreva assim tão bem e só de pensar vir para o pc, sentar-me em frente ao teclado dá-me uma preguiçaaaaa.....

 

Porém, com a minha presença diária no instagram, falando com os meus seguidores percebi que estava constantemente desgrenhada, cara-pálida e de pijama. Um vez por outra é giro, faz de mim até meio destemida, arrojada...uau...de pijama e ainda com aquele bafo matinal dos infernos e a gravar stories, que mulher corajosa. Mas sinceramente, até a mim já me começou a incomodar estar sempre enfiada na porra de um pijama com os lábios pálidos e gretados a mandar postas de sabedorias a quem tem a paciência de me seguir. 

 

 

Então pensei, nem que seja para eu me sentir bem e tentar quebrar a tal da preguiça vou comprar umas pinturas e borrar a cara. Tenho-me sentido melhor, pelo menos quando olho ao espelho, noto que mesmo não percebendo da arte de maquilhar, uma sombrinha dá sempre um 'glow' e um baton - mulher e baton deviam ser inseparáveis. É claro que às vezes chateio-me e volto a entrar em modo pijamix e nem uma pinga de água passo pela cara mas estou muito orgulhosa  pela iniciativa e pelo atrevimento. Porque quando o caminho me é desconhecido, acanho-me e recuso seguir em frente. E sim, estou só a falar de maquilhagem, ou talvez não, mas tê-la comprado e atrever-me a usá-la foi para mim um passo de gigante rumo  ao desconhecido,  e assim deixo este medo para trás. Agora faltam os outros medos...um medo de cada vez...

27
Jan20

Porque motivo não quero ver o último episódio da série 'Spinning out'?

Cláudia Matos Silva

 

Porque não suporto a ideia de ver a série terminada, sem saber se haverá uma segunda temporada. É uma sensação de vazio que alguns de vocês talvez entendam. É claro que esta série 'Spinning out' não se equipara a outras, secalhar não há motivos para me ter apegado tanto à história e às personagens, mas aconteceu. E aposto que aconteceu com outras pessoas um pouco por todo o mundo.

 

 

'Spinning out' toca em temas que aprecio; patinagem artística, famílias disfuncionais, doença mental, entre outros sub temas que são o sal e a pimenta de uma série que à partida julgaríamos demasiado teen, demasiado imatura, demasiado cor-de-rosinha, demasiado demasiado...para interessar a uma mulher que já não se deixa encantar por histórias de amor ao estilo 'o rapaz conhece a rapariga na aula de biologia'. 

 

 

'Spinning out' é claramente uma série que se foca mais no universo feminino, o que não quer dizer que os homens não queiram ver, e vai ao encontro dos desafios que encontramos quando a doença mental se atravessa pelo meio. Nenhum de nós está a salvo e é um erro dizer que 'maluquinhos' são os outros. Infelizmente o tema é ainda tabu e poucos assumem que precisam de medicação para lidar com as exigencias do dia a dia, lá está 'maluquinhos' são os outros. A verdade é que todos nós somos feitos de luz e sombra e não há novidade nenhuma nisso, portanto ainda me espanta que se escondam problemas do foro psíquico como se fosse uma doença venérea. 

 

 

Uma das coisas mais certas, é que mais dia menos dia vamos lidar com problemas do foro psicológico e sim 'maluquinhos' somos todos nós, não vale a pena fingir que o assunto não existe porque é preciso, aos poucos, ir recolhendo ferramentas e prepararmo-nos para quando nos bater à porta. E uma dessas ferramentas, senão a mais a importante, é aprender a assumir e pedir ajuda.

 

 

Por enquanto lá vou lidando com as minhas sombras o melhor que posso e aguardo confirmação da segunda temporada de 'Spinning out' e assim fica pendurado o último capítulo da primeira temporada. É uma sensação reconfortante saber que não chegou ao fim, que há ainda um episódio por ver, à minha espera, para me servir de companhia. No fundo, estou só a guardar o melhor para o fim, esperando que o fim ainda venha longe.

26
Jan20

Ó vizinha, o que é feito da nuvem que tem sempre em cima da sua cabeça?

Cláudia Matos Silva

Ao vê-la passear o cão, mal a reconheci, a minha vizinho do direito. Uma miúda com uns 20 anos; bonita, elegante, sempre bem vestida e acompanhada com pessoas de elite. Porém nem o brilho dos grandes carros que trazia aqui à rua faziam transparecer nela o brilho  do sol. É uma energia que não consigo explicar mas parece sempre coberta de nuvens a pairar-lhes sob a cabeça e por isso o sol nunca consegue romper aquele manto cinzento.

 

Na verdade nunca lhe estranhei o semblante porque a mãe partilha da mesma vibração macilenta, alguém com dificuldade em esboçar sequer um sorriso e cujos olhos descaem como os daqueles cartoons quando fazem caras tristes. Serão estas duas vizinhas; mãe e filha, dois cartoons? Nunca as vi como tal, porque os cartoons fazem-me rir e a elas não lhes consigo encontrar gracinha nenhuma. Apenas mulheres de mal com a vida, maldispostas ou mal educadas, a ter em conta as vezes que me fecharam a porta da entrada do prédio mesmo na cara.

 

Acontece que esta semana vi a jovem e mal a reconheci, tive de olhar uma segunda vez, e só percebo que era mesmo ela porque estava a passear a cadela preta de coleira cor-de-rosa. Havia um sol que brilhava no semblante dela. Os traços do rosto estavam mais suaves, apesar dos seus 20 anos, sempre lhe vi as linhas do rosto demasiado vincadas para alguém de tão tenra idade. Pela primeira vez vi-lhe a luz e percebi porquê.

 

Havia sido mãe, e realmente já muitas vezes ouvi dizer que as mulheres mudam com a maternidade. Claramente a minha jovem vizinha do direito transformou-se numa mulher e ao contrário da mãe que a pariu continuar com a mesma atitude de que todos lhe devem e ninguém lhe paga, a filha encontrou motivos para sorrir. Espero que consiga ser melhor mãe do que a que lhe coube em sorte(azar).