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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

28
Jul20

Porque é que este ano não vou de férias?

Cláudia Matos Silva

 

Apesar de tudo não me sinto confiante nem motivada. Desperdiçar dinheiro numa altura em que tudo anda a meio gás e nos restaurantes vemos a confusão estampada na cara dos funcionários. Neste período, das poucas vezes que jantei fora, senti-me desapontada. Serviço pobre, comida mediana e uma inevitável tensão no ar. Há quem use máscara, há quem não use, é literalmente ao gosto do freguês. Para evitar mais embaraços e situações stressantes tomei a decisão de passar o Verão em casa e usufruir dos espaços ao ar livre nas redondezas. Nas horas de maior calor, revejo imagens antigas de férias felizes em sitios lindos no nosso país. Se ainda não foram a Aljezur ou a Sagres são visitas obrigatórias. 

 

 

27
Jul20

Quem é Bruno Candé?

Cláudia Matos Silva

Bruno Candé foi até aos 39 anos um actor de teatro, cujo pano caiu sobre si como numa tragédia, no Sábado passado. Candé  foi morto com 4 tiros em plena luz do dia no centro de Moscavide por um idoso de 80 anos. Os motivos? Não havia realmente motivos, logo se diz serem futeis.  É como se o facto de não irmos com a cara de alguém nos desse a legitimidade de a matar. Entre estas duas pessoas terá havido uma troca amarga de palavras. O Bruno lá continuou com a sua vida, já o idoso tinha sede de vingança. É claro que a maior parte das pessoas prefere colocar esta situação na categoria crime racial. É bem possível que o assassino fosse racista, como de resto são muitos da sua geração (perdoem-me a generalização), é possível que até tenha estado na guerra do ultramar e por isso veja os negros como seres inferiores. É possível que sofresse de algum trauma pós guerra ou que simplesmente odiasse o mundo inteiro porque este país não é mesmo para velhos. Mas nada desculpa o fundamental nesta história, a morte de um jovem indefeso. O que aconteceu Sábado passado foi bárbaro e leva-me a crer que nenhum de nós está a salvo. Quem será a próxima vitima? 

22
Jul20

Será que uma mulher sozinha está mesmo a pedi-las?

Cláudia Matos Silva

Hoje conto-vos a história de uma mulher irreverente mas cujos valores familiares se impõe acima de tudo. Ela move-se pelas suas paixões, manias e caprichos. É dificil entendê-la, é por isso comum, que as opiniões sobre ela se extremem. Podem apontá-la como extremamente humana e justa ou só uma valente cabra insensível. Uma coisa é certa, falo de uma mulher extraordinária a quem acontecem coisas extraordinárias. Adora contar as suas histórias com alguma dramatização pelo meio, revirar de olhos e trejeitos exagerados. Desta vez o semblante estava pesado e disse-me que não tinha vontade nenhuma de falar do assunto.

 

Num domingo como qualquer outro na praia das 9 da manhã às 8 da noite, havia todas as condições para um dia fantástico. Daqueles que só come, dorme e nada, descansando o corpo e a mente das responsabilidades que carrega todos os dias. Ela tem ombros largos e estrutura forte, é daquelas pessoas com uma resistencia fora de série, uma pessoa descontinuada porque já não fazem mais senhoras com esta fibra. Isso não quer dizer que não sinta como toda a gente e que não se melindre com as situações do dia a dia. A verdade é que, o episódio que partilho não deveria acontecer nunca, aposto no entanto, que as mulheres que me estão a ler já se terão deparado com isto, em moldes mais ou menos parecidos, mas na essência iguais.

 

Vamos lá. Havia terminado mais um domingo de praia, dirigia-se para o parque de estacionamento para calmamente se compor. Já dentro da viatura vê uma sombra junto do vidro (que por sorte estava fechado) e quando olha vê um exibicionista que de calções de banho coloridos exibia uma tremenda erecção que quase trespassavam os calções. Ela assustou-se, é no entanto forte, e não deu parte fraca. Manteve a calma e não voltou a olhar. Ele continuava encostado à janela massajando o membro enquanto ela, no topo da sua elegancia, continuava a ignorar. Deu à chave, o carro começou a trabalhar e partiu deixando para trás uma situação absolutamente perturbadora. Não queria falar disso, denunciar ou fazer alarido. Só queria esquecer mas não conseguia. Pergunta-me 'mas porquê eu?'!  Enquanto continuarmos a temer estas pessoas, a encolher-nos e a não falar do assunto, seremos cada vez mais as mulheres assediadas moralmente desta forma asquerosa. Porquê ela, então e porquê eu?!

 

A mim, particularmente, isto já me aconteceu duas vezes. O crime foi perpetrado por pessoas aparentemente normais e em sitios de uso comum como por exemplo dentro da carruagem do metro em Lisboa. Tal como ela eu não queria falar do assunto, e na altura vi-me completamente apeada, sem ninguém a quem pudesse recorrer porque para todos os efeitos seria a minha palavra contra a de um senhor que podia ser contabilista numa empresa de renome.  Na altura fiz-me a mesma pergunta 'porquê eu' e foi fácil encontrar a resposta; eu estava sozinha, ela estava sozinha. e tu, costumas andar sozinha? Até quando isto nos vai continuar a acontecer?

17
Jul20

Então Jesus, porque vais voltar?

Cláudia Matos Silva

Será pela família, pelo Covid, para fugir ao escândalo com a advogada brasileira ou pelo benfica? Eu diria que é por tudo isto mas no topo do bolo não está a cereja mas o 'pilim' e que atire a primeira 'padrada' quem nunca se moveu pelos carcanhois. Afinal o mundo gira em torno do dinheiro e por mais que tentemos romantizar uma vida onde nos alimentamos de amor e poesia a verdade é que, a não ser que tenhamos um caso com o padeiro ou o peixeiro, ninguém escapa ás suas despesas. 

 

De qualquer forma, há muito que acredito que, Jesus nunca quis sair de Portugal, e aquela historieta com o Sporting foi uma marretada não só na carreira mas na vida pessoal do treinador. No fim das contas, o que estava reservado para Jesus era muito mais do que se imaginava. E depois de andar pelas arábias, faz-se rei das américas. Não tivesse ele o nome do divino, podia ter levantado um certo mau estar entre os brasileiros que ainda não esqueceram a imagem do colono português. Ora Jesus, não foi colonizar o futebol brasileiro, bem pelo contrário, potenciou o talento de quem já sai da passarinha da mãe a sambar, a dar toques de bola e a beber água de coco. Assim é o brasileiro, um portento seja nas artes ou no desporto, Jesus meteu ordem no Flamengo e foi quanto bastou para aquela malta começar a ganhar trofeus.

 

Podem espantar-se, porque raio escrevo um texto sobre um treinador de futebol? É estranho, confesso que sim, não ligo nada a futebol mas diz-se que sou do Sporting. Já sabemos que Jorge não teve sorte no clube verde e branco, mas sabe-se (de acordo com a CMTV) que irá regressar ao velho continente para comandar os destinos do clube da águia.

 

Este video já foi gravado há um tempo, ainda o Covid não fazia parte do nosso dicionário. Sempre desconfiei que o JJ estava com o cu no ar para voltar aqui para o burgo. Digam o que disserem há lá melhor sitio para viver que nesta chafarica a que chamaram de Portugal.

 

O treinador com mais de 60 anos é para mim a prova de que nunca é demasiado tarde para alcançarmos os nossos sonhos. É por isso que escrevo estas linhas sobre alguém ligado ao futebol e que na verdade me diz muito pouco enquanto pessoa ou profissional. Não posso, no entanto, ignorar que este era o tipo com quem toda a gente gozava, o rei das bacoradas, o que escarafuncha os dentes com a língua durante as conferencias de imprensa e que teve uma conversa surreal com a pintora Paula Rego. Gozámos com ele durante tanto tempo e nesta altura temos de nos vergar às evidencias, a idade fez-lhe bem. Como um bom vinho maturado, deu-nos a todos (e não falo de futebol) a esperança de que ainda vamos conseguir realizar os nossos sonhos. Porque no fundo o Jorge é só aquele tipo que nasceu na Amadora e que durante anos viveu na sombra para chegar a uma idade madura e mostrar que esteve sempre a trabalhar para o seu grande sonho. Trabalhemos nós para o nosso, porque não é tarde, e Jesus é disso prova.

06
Jul20

Que mal há na capa da Vogue PT deste mês?

Cláudia Matos Silva

 

Eu não vejo nenhum. Não vou discutir se a capa é bonita ou feia, mas gosto da pertinencia do tema, saúde mental. Muitas figuras públicas já vieram a público manifestar desagrado com a estética adoptada pela Vogue Portugal para falar de um assunto tão sensível. E têm razão, o assunto é sensível, mas enquanto continuarmos a falar dele como um bicho de sete cabeças as coisas não tendem a melhorar. É importante discutir o tema, portanto neste caso o que me importa mesmo é o conteúdo e não a forma. É uma capa que remete para as terríveis experiências de lobotomia e choques eléctricos relembra a crítica Rita Ferro Rodrigues, é bem verdade. Mas não podemos, nem devemos apagar da história esse facto, e tentar negar ou camuflar não ajuda em nada a problemática da doença mental. Aliás o facto de hoje se usar o termo 'saúde mental' já é uma evolução gigantesca, numa condição que nunca foi bem entendida e que durante séculos e séculos foi alvo de equívocos graves. Ainda hoje paira nas nossas cabeças a inevitável comparação a um doido quando alguém age de uma forma diferente para o seu tempo. E isto remete-me para um livro português baseado numa história real. 'Doida, não e não' de Manuela Gonzaga. Recomendo mesmo a leitura.

 

 

A história real de uma mulher que foi tida como doida por se apaixonar por um homem muito mais novo. Infelizmente a sua institucionalização deu-se com o apoio de pessoas importantes como Egas Moniz que pelos vistos estava mais preocupado em defender os interesses dos seus amigos poderosos do que do real estado da saúde mental dos pacientes. Há inúmeros casos relatados à época de pessoas nestas situações, internadas porque alguém entendia que eram inconvenientes, logo loucas.

 

Leva-me a perguntar, como se mede a loucura? A loucura não é matemática e não há dois casos iguais, como não há duas pessoas iguais. Se a loucura fosse uma equação de matemática secalhar eu nem estaria a abordar o tema, porque não seria tema, mas um facto, uma ciência exacta. Mas este é um assunto tão sensível, melindroso e do qual ainda se conhece muito pouco (apesar da imensa evolução) que acredito exercer temor perante muitos de nós. Não é por acaso que se diz 'nunca se contraria um maluco' porque nunca sabemos o que vai acontecer devido à imprevisibilidade do carácter do demente. Por isso gostava de dizer que este post não é para contrariar a opinião de ninguém, é apenas para tentar desmistificar algo que só por si tem tido ao longo dos séculos muita mistificação. Vamos falar das coisas como as conhecemos, como as sentimos, trocar ideias e perceber que não estamos sós neste terrível estado do loucura colectiva a que o Covid 19 nos está a levar.