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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

15
Jun20

Está tudo doido?

Cláudia Matos Silva

Este é o mais recente video do meu canal no youtube. É provavel que as minhas palavras sejam descontextualizadas e o meu humor passe despercebido, mas não consegui ignorar a estupidez que anda a percorrer o mundo inteiro. Portugal também não quis ficar de fora de reclamar a moda dos 'ismos', e não estou a falar do Covid19 que não é estupidez mas para muitos uma fatalidade, falo das supostas manifestações que mais não são do que ajuntamentos de pessoas cheias de tédio até à ponta dos cabelos. Eu percebo, também ando aborrecida com a minha vidinha, andamos todos, mas bolas (eu é sempre bolos) não vou para a rua astear uma bandeira sem sequer saber o que ela quer realmente dizer e o que podem implicar as palavras que me saem boca fora.

 

Espero que gostem deste video e se não gostarem é porque claramente não falamos a mesma língua, portanto, mantenhamos a distância higiénica, tá?! 

04
Jun20

Devemos gerenciar os comentários aqui no sapoblogs?

Cláudia Matos Silva

Sim.

 

Até há pouco tempo julgava que ninguém me lia, logo ninguém teria a paciência de me responder. Na verdade, este espaço que aqui mantenho, serve para não perder o hábito de uma das minhas paixões, a escrita. Escrevo sobre estados de alma, a melancolia, o meu sentido de observação, do que acontece à minha volta, a minha dificuldade em encaixar na sociedade entre outras questões existenciais. Quem vai querer ler ou comentar isso?  - pensei. E pensei bem. Até agora eram só flores no reino do blog 'quem tramou a gordinha?'

 

A coisa mudou quando toquei num assunto polémico, o caso Ruben Couto e Beatriz Lebre. Um caso que levanta muitas paixões e muitos ódios. Opinei sobre o assunto e como não escrevi o que alguns queriam ler, fui atacada verbalmente por anónimos que ainda por cima sofrem de iliteracia, pois não souberam interpretar as minhas palavras e distorceram-nas. Acusaram-me de glorificar o assassino Ruben Couto, o que claramente não é verdade. Lembro que um assassino não tem de ser 'feio, porco e mau' e valido esta minha convicção falando de um dos mais mediáticos serial-killers de sempre, Ted Bundy.

 

Enfim, como se tratavam-se de ignorantes e anónimos optei por não lhes responder, em tudo seria um debate inócuo. Então pra não me chatear, lembrei-me dessa opção aqui no sapo; gerenciador de comentários. Todos terão de passar por mim para ficarem no blog. É normal que não queira ser ofendida na minha própria casa e que a queira manter limpa e organizada. 

03
Jun20

E a menina, já desconfinou?

Cláudia Matos Silva

Eu não. Nem pretendo desconfinar tão depressa.

 

Quero acreditar, se estivermos devidamente protegidos, não há perigo nas pequenas acções do dia a dia. Eu já podia ter ido a uma esplanada beber uma somersby, caminhar no paredão da costa enquanto comia um gelado ou beber uma bica no café do bairro. Podia mas não quero. Não quero por mim e pelos outros. 

 

Por mim, porque sei que aos primeiros atrevimentos de desconfinamento, eu poderia começar a sentir-me afoita e aos poucos ia esquecendo-me de pequenas medidas de segurança. Talvez começasse a esquecer-me de manter a distancia de segurança, quem sabe se deixasse de desinfectar as mãos após alguma acção aparentemente inócua e que se poderia revelar fatal. Não quero facilitar ou até desvalorizar esta pandemia. Quero manter-me alerta, atenta e cuidadosa. Bem sabemos que o inimigo nos ataca após ganhar a nossa confiança e eu não quero cá intimidades com a super estrelas dos vírus, o tal do Corona.

 

Pelos outros, porque anda tudo doido. A maneira como usam as máscaras é uma afronta à saúde pública. Sinceramente, incomoda-me mais uma máscara mal colocada do que a ausencia da mesma. Ao menos sem máscara sabemos que aquela pessoa é para nós um perigo, com máscara não sabemos ao certo em que medida aquela pessoa está a infectar-se a ela própria e por conseguinte os que estão à sua volta. Já todos nós nos cruzamos com pessoas a usar a máscara de forma idiótica. Se não fosse tão triste até dava vontade de rir. No caso que vou relatar, limitei-me a manter a distancia e a abanar a cabeça em jeito de reprovação. Então um senhor idoso na fila do Lidl, usava uma máscara já tão suada e quase desfeita em fanicos, com o elástico em volta do queixo e o filtro no topo da careca, assim meio 'papa style'.

 

Fico com a sensação de que aos poucos o vírus vai fazendo parte da 'família' e que qualquer dia o Covid 19 será apenas mais um entre tantos que por ai circulam. A verdade é que o Covid19 teve o mediatismo que nenhum outro virus teve neste século XXI, diria ser a estrela dos vírus que deixou o mundo de pernas para o ar e arruinou a economia mundial. Depois há os otimistas que acreditam na missão de regenerar o planeta terra, só é chato que a raça humana fique em risco, mas como foi através da acção humana que o nosso planeta tem ficado gravemente doente, é facil perceber que também nós somos um vírus e bem mais mortal que o Corona.

01
Jun20

Que tipo de criança fui?

Cláudia Matos Silva

No dia da criança, reflito sobre a criança que fui e posso garantir-vos que fui aquela criança que não gostava nada de o ser. Ao passo que hoje ser criança é um privilégio, dai famosa frase 'em nome do superior interesse da criança', há mais de 30 anos, ser criança era uma coisa meio hibrida. Parte da minha geração veio ao mundo por genuina vontade dos seus pais, mas há um número muito grande de crianças que veio ao mundo porque 'fazia parte do plano'. O tal plano que os nossos pais nos transmitiram mais tarde (casar, arranjar casa, trabalhar e ter filhos, comprar carro)  mas promovendo-nos melhor qualidade de vida (dentro dos possíveis) e mais estudos (dentro do orçamento familiar). Da minha parte ser criança nos anos 80 não era lá grande coisa; vivia alienada da vida real e sem saber ao certo o que tinha cá vindo fazer. Este desligamento da realidade mantem-se, só que agora, já adulta, consigo fingir melhor.

 

Não seria justo dizer que tive uma infancia dificil, que fui maltratada ou passei fome. A verdade é que não gostava da posição em que estava. Sentia-me uma marioneta; ora levavam-me para a escola e lá ficava até me irem buscar, ora ia ao médico porque andava sempre a piscar os olhos, ora levava umas valentes palmadas porque da minha janela cuspia para quem passava na rua. Nada fazia sentido algum, hoje continuo a debater-me com o mesmo problema, mas na altura apenas deixava que fizessem o que quisessem de mim. Um dia um senhor mais velho pegou-me na mão e tentou algo que por sorte minha, não conseguiu concretizar. Por isso, nem sequer uma história de violação tenho para que se justifique uma infância traumática. 

 

Eu simplesmente não entendia nada, na escola ou em casa, que valente confusão. Soube no entanto que fui amada e que vim a este mundo fruto de uma bonita mas imperfeita história de amor. Isso devia bastar para recordar a infância como um período feliz da minha vida, mas não foi. Enquanto fossem os outros a decidir sobre a minha vida e as minhas vontades eu não poderia sequer sentir um travo de felicidade. Valorizo muito o meu espaço, a minha autonomia, a minha vontade e os meus caprichos. Só em adulta comecei a sentir esse poder sobre a minha própria vida e ai cruzei-me pela primeira vez com essa tal de felicidade. Até lá, andei a queimar tempo e esperando a maioridade para ser o que bem entendesse. Hoje sou o que quero, apesar de não me achar lá grande coisa, mas a decisão é exclusivamente minha, fruto das minhas minhas atitudes. Ser adulto faz rugas e cabelos brancos, uma chatice, mas prefiro assim.