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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

30
Mai20

Ruben Couto e Beatriz Lebre; terá sido um crime premeditado?

Cláudia Matos Silva

A história tem feito manchestes. A jovem Beatriz Lebre de 23 anos foi morta por um colega de faculdade, Ruben Couto de 25 anos. O motivo que corre por ai, ciúme.  Nada de novo para quem, como eu, segue temas desta natureza, porque me fascina a caprichosa psique humana.

 

Neste caso, o intento de Ruben era conquistar Beatriz e ao que parece ela não se deixou seduzir pelos seus encantos, que segundo se conta, eram muitos. Eu diria que Ruben era por natureza um conquistador; talvez ao inicio o fizesse ao nível do inconsciente com os pais, irmãos ou amigos, para mais tarde levar já de forma consciente este jeito de seduzir toda a gente. Não é por isso de estranhar que ninguém lhe aponte defeitos, o Ruben é o tipico caso de 'mais vale parecer do que ser' e ele parecia muito bem a toda a gente. O amigo que todos queriam ter, o namorado que as miúdas tanto desejavam, até o sonho de filho para qualquer mãe. E com tantas conquistas a vários níveis na sua vida, Ruben estava cada vez mais convencido de que o mundo girava à volta do seu umbigo e também por isso não havia impossíveis. Camuflando o seu narcisismo com um carácter agradável, educado, simpático, inteligente, atraente, sorriso fácil, caloroso e apaixonado por causas humanitárias. O mestrado em psicologia valida toda a personagem que constroi e que convence toda a gente que cruza o seu caminho.

 

Ao lermos notícias como a deste assassinato horrivel, é tão injusto que agora passemos a ter medo de todas as pessoas que nos mostrem os dentes, que se revelem  altruistas ou que nos queiram dar 'aquele' abraço que antes julgámos sincero e agora tememos que seja uma valente facada nas costas.

 

Foi o que aconteceu com a Beatriz. Ao certo ninguém sabe o teor da relação com este colega, a família dela diz que nunca foram namorados, creio que a análise das mensagens trocadas entre ambos irá provar o contrário. Beatriz conhecia Ruben, e não só como colega, havia algo que os unia caso contrário, a jovem não quereria manter em segredo a recem reatada relação com um ex namorado. Se nada houvesse entre Beatriz e Ruben nada havia a temer. Ela temeu, provavelmente magoar-lhe o ego, sabia que pela insistencia ele parecia mais interessado que ela. Mesmo assim, foi mantendo a situação em lume brando e por isso não viu problema em abrir-lhe a porta à noite. Naturalmente recebeu o 'amigo colorido' em sua casa porque nunca se sentiu em perigo. Acreditava no tipo pacifico que quanto muito ficaria triste com a rejeição. Não havia na cabeça de Beatriz a hipotese da situação se descontrolar.  Acredito que nem o próprio se conhecia a esse nível, nem se sabia tão perigoso, sequer ao ponto de ser capaz de matar. A pele de assassino iria arruinar-lhe o que mais preservava na vida, a sua boa reputação. Mas o verdadeiro sabor da rejeição, algo que talvez não conhecesse, soube-lhe como um limão que se trinca. Amargou.

 

Imagino Ruben aquele miúdo cheio de confiança e sempre bem sucedido. Como se todas as portas se lhe abrissem pela personagem que construiu durante os seus 25 anos. Ele sabia que conseguia tudo o que queria e isso dava-lhe a sensação de superioridade em relação aos outros. Ele estava no centro do seu universo e ninguém lhe dizia que não, e se alguém se atravesse, Ruben, com o seu poder de sedução acabaria por reverter a situação a seu favor. Não é por acaso que se diz que a dor nos faz crescer e que as crianças devem ser contrariadas, para desde cedo aprenderem a lidar com as contrariedades. As suas vidas estarão cheias delas e há que aprender desde cedo a lidar quando os ventos não correm de feição. Para Ruben as marés estavam sempre a seu favor, até sair dos eixos, deixar cair a máscara, descontrolar-se e mostrar a sua verdadeira face de sociopata. 

 

Ruben assassinou e irá pagar pelo seu crime hediondo. Não creio que tenha sido um crime premeditado. Um criminoso ardiloso não deixa provas por todo o lado. Mesmo no meio daquela trapalhada, focado no seu próprio egocentrismo e ignorando completamente Beatriz, tentou manipular toda a gente usando aquele perfil de bom rapaz; simpático, disponível e bom samaritano. Se o crime fosse planeado, Ruben saberia que pelos casos mais recentes que têm sido amplamente divulgados pelos media, seria apanhado em três tempos. Tentou safar-se mas não foi inteligente e rendeu-se, não valia a pena continuar a farsa. Está envolvido na maior confusão da sua vida, nem o próprio sabe bem como isto foi acontecer, e agora?! Já todos sabem quem é o verdadeiro Ruben Couto; um assassino frio, capaz de esfaquear um ser humano indefeso e livrar-se do corpo sem remorsos.

 

Que futuro se avizinha? Diria risonho, apesar de tudo, este miúdo vai voltar a sorrir um dia, o que não voltará a acontecer nem à Beatriz, nem à sua familia mais próxima. O Ruben matou uma familia inteira, talvez tenha morto a sua também, mas ele pode voltar a sorrir. A sua missão é previsivel e até mais forte que ele, restabelecer a imagem que sempre teve. Ele quer muito que voltemos a acreditar naquele rapaz aprazivel. Será por isso cooperante, disponível mas não falará em demasia. Sobre o caso, apenas o necessário, sempre bem aconselhado por um advogado, um jovem bem sucedido, sem cadastro e cooperante, fará da prisão assunto para um livro que está por escrever. Ele escreve bem, e nesse livro terá muitas linhas para nos seduzir a todos! Vamos todos acreditar que se tratou de um crime por amor e que amou genuinamente Beatriz, talvez como nunca tenha amado ninguém. Vai também convencer-nos que pensa na jovem todos os dias e que assim será até ao resto dos seus dias. Como o povo tem memória curta secalhar até vamos ter pena dele, um pobre menino mal amado.

 

Já Beatriz  nada poderá fazer. Encontrada em decomposição no rio tejo usando ainda um vestido que a familia reconheceu, é o que dela resta. Um corpo jovem a apodrecer. Como poderão dormir os seus pais com esta imagem na cabeça? Beatriz, uma menina brilhante descartada como uma códea de pão rijo. Assim terminou o seu percurso por aqui. Se o Ruben não tivesse cruzado o seu caminho com aquele dom de bom rapaz, talvez Beatriz ainda pudesse voltar a ser aplaudida num dos seus concertos de piano, quem sabe encher um coliseu ou até percorrer o mundo como solista. 

 

Por isso, parem de dizer que este foi um crime motivado por um amor doentio, obsessão amorosa, ciume ou outra treta amorosa. Ruben matou porque não teve capacidade de encaixar um tampa. Um motivo futil, na verdade. Este é o puto que gostava demasiado de si próprio caso contrário não tinha ignorado a vontade e o desejo da Beatriz. Ruben, isso que fizeste não se faz! Acho que já percebeste, pena ser demasiado tarde.

11
Mai20

Que mal fez a pequena Valentina?

Cláudia Matos Silva

Nasceu.

 

É triste dizer isto assim, sem espinhas, mas é sabido que nem toda a gente é fadada para a maternidade e claramente a pequena Valentinha teve o infurtúnio de ser um acidente num encontro casual entre dois seres humanos de índole muito duvidosa. Já acidental não foi a sua morte, a pequena Valentina que mais parecia uma bola de pingue pongue, ao ponto de um dia deixar clara a sua vontade, queria estar com a mãe. De todos os males, a mãe, talvez fosse o menor deles, mas deixá-la à mercê daquele pai, anula tudo o que acabei de escrever a favor da senhora sua mãe, que para mim é também culpada. Cabia-lhe o papel de ler entrelinhas, de ler os sinais, de ouvir a filha.

 

Há várias coisas que me chocam neste caso, e não se espantem por estar a apontar as minhas armas à mãe, mas o pai e a madrasta já sabemos nós que são assassinos do mais cruel que pode haver. Mas não fiquem à sombra de quem cometeu o crime, vejam o retrato por inteiro. A mãe nunca tinha vivido sequer com o pai, tinha uma relação disfuncional com o próprio irmão, e não teve a sensibilidade de perceber que a Valentina já tinha dado sinais de desconforto ao estar na casa que o pai partilhava com a nova família. Valentina era uma 'outsider', alguém que procurava o seu lugar e por isso soube sempre que não era ali desejada. Depois do desfecho desta história, não há duvidas, pois não? Talvez nem mesmo na casa da mãe fosse assim tão desejada quanto isso, afinal foi arremessada para a casa do assassino para lá ficar 1 mês, em apenas uma semana limparam-lhe o sebo. Se isto não é revelador, não sei?!

 

Tanto mãe como pai, quiserem deixar uma marca pública de bons pais. Fizeram circular que tinham uma excelente relação, sabe-se agora que não era bem assim. A mãe foi para o facebook fazer apelos patéticos ao estilo Rosa Grilo 'meu anjo' escreveu, os anjos estão no ceu e para quem acredita em divindades, a pequena foi directamente para o ceu onde se encontram os anjos. Na publicação da mãe, claramente inspirada no estilo Rosa Grilo, chamava por Valentina 'meu amor', 'minha vida', 'onde estás tu?'...vá lá, digam, isto não vou soa familiar? Mais um pouco só lhe faltou escrever 'onde estiveres, aguenta'. E a pobre Valentina aguentou 9 anos, para uns parece pouco, partir aos 9 é demasiado nova, mas até aos 9 anos deve ter visto, ouvido e sentido tantas coisa que certamente não estarão naquela lista que se diz ter como prioridade o superior interesse da criança. Quem se interessou por Valentina?

 

Ninguém. E mesmo já morta e mal enterrada, a pobre Valentina era apontada como a grande culpada de um possivel infortunio. Valentina era sonambula (logo saiu porta fora pelo seu pé), Valentina já havido fugido (logo era uma criança arredia), Valentina tinha ciumes do meio irmão recem nascido (que má menina...ciume, que horror), Valentina não era uma criança fácil e fazia birras (pequena, estavas mesmo a pedi-las), Valentina tinha epilepsia (menina, as chances não estavam a teu favor), Valentina toma banho e tem um surto (que azar, pequenita). Em nenhuma destas explicações da treta, pai e madrasta apontam culpa para si próprios, aliás, a madrasta só pecou por se ter esquecido de trancar a porta (senhora madrasta, não se martirize por isso, já nos aconteceu a todos). Quanto ao pai, absolutamente cuidadoso, antes de ir dormir passou pelo quarto da Valentina para lhe aconchegar os lençois, que imagem tão bonita, é pena ser mentira. A única coisa que este pai aconchegou foi as suas mãos imundas em volta do pescoço da própria filha, sem nunca hesitar. Viu-a partir segundo a segundo, olhou para ela quando partia com o rosto mudando de cor, as suas feições transfigurando-se, quem sabe até espumando da boca deixando de resistir e perdendo completamente os sentidos. A madrasta tudo viu, assistiu de camarota e no fim deve ter aplaudido a explendorosa performance do seu marido, o pai dos seus três filhos. Isto diz muito desta mulher, cuja palavra madrasta se confunde com a própria sorte de Valentina, uma sorte madrasta.

 

Para o final, gostava de explicar que este texto cheio de ironia, é para mim uma vitória. Até há umas horas, senti uma revolta tão grande, sem conseguir articular nada que fizesse sentido. A imagem de Valentina está na minha cabeça, o rosto meigo e dócil, emociona-me. Nesta altura de quarentena, cai uma bomba destas nas notícias e creio que o país se foi muito abaixo com a partida de Valentina. Sinto o caso dela, como não senti o de Maddie ou da pequena Joana ou até mesmo da pequena Lara, também morta pelo pai aqui perto da minha casa. A fragilidade de que somos feitos vem toda à tona, seja como for isto é uma passagem e há quem fique por cá mais tempo e outros menos. A vida é isto. 

09
Mai20

Quem tem visto o Big Brother Zoom?

Cláudia Matos Silva

Eu vejo às vezes, mas para fazer este vídeo tive de assistir à gala com muita atenção. Entretanto vou picando aqui e ali, às vezes vejo os comentários feitos pelo painel de comentadores, mas ainda é tudo muito embrionário. A pandemia trocou as voltas ao BB e veremos se o programa irá conseguir sobreviver e até superar a concorrencia do 'Quem quer namorar com o agricultor?'

08
Mai20

Quem é a minha nova' crush'?

Cláudia Matos Silva

 

George Mackey é a minha nova crush. George notabilizou-se no galardoado '1917', à época um actor relactivamente desconhecido, pelo menos foi esse um dos motivos alegados pelo realizador, Sam Mendes, na escolha de Mackey para o elenco do seu mais recente filme. A verdade é que eu não vi '1917' apesar de todo o buzz em torno do desempenho do actor nesta película e cujos elogios são mais que muitos tornando '1917' praticamente unanime. Estou enamorada por Mackey, não pelos seus lindos olhos, alias fisicamente tem uma beleza estranha, excelente para interpretar papéis desafiantes. Actores evidentemente bonitos por vezes ficam presos a um determinado estilo de filme, George terá certamente capacidade para interpertar uma ampla  diversidade de papeis, haja bons guiões.

 

 

Vou contar-vos como começou o meu caso com George Mackey. Numa daquelas noites de insónia, percorro a lista de filme no canal Hollywood e vejo na pequena imagem de promoção Saoirse Ronan, também ela com uma beleza invulgar e que lhe tem permitido tantos e tão variados desempenhos. Adoro esta miúda desde o papel em 'Expiação'! O título do filme em português de 'How I live now' deixa muito a desejar e até lembra aqueles romances da Harlequin, mesmo assim arrisquei. Se Saoirse não estivesse no elenco não perdia o meu tempo a ver uma coisa chamada 'em nome do amor', a sério, quem raio faz as traduções dos títulos dos livros e dos filmes? 'How I live Now' é inspirado num livro de Meg Rosoff e que deverá ser a minha prenda de anos...aguardo ansiosa a chegada do livro cujo do título me dar muitas comichões. Apesar do papel principal ser de Saoirse,  é impossivel ficar indiferente ao personagem Eddie, ele tem qualquer coisa, e mal terminou o filme não resisti em pesquisá-lo. Chama-se George Mackey e talvez tenha tido um bom desempenho neste filme mas estaria realmente diante de um bom actor?

 

 

Sigo para 'Ophelia', história que há muito me intriga. Quem é Ophelia? Num misto de lenda nórdica ou personagem de Shakespeare, neste filme temos toda a história de Hamlet vista pela perspectiva feminina. Mackey nem sequer consta no cartaz, apesar de  vestir o personagem que origina parte da trama, o próprio Hamlet. Neste contexto diria ser um personagem secundário mas que capta novamente a minha atenção. Em relação a 'How I live now' está quase irreconhecível, entre o herói romantico e o principe louco e desorientado. Adoro-o.

 

 

As minhas certezas acontecem em 'Where hands touch', cujo contexto é a segunda guerra mundial, uma vez mais não é dele o papel principal, mas é Mackey que revela uma elasticidade no desempenho de um personagem absolutamente convicto da causa Hitleriana e se vai moldado conforme os acontecimentos lhe vão ensinando que tudo o que aprendeu não passa de uma ilusão de um líder lunático. Lutz quer lutar pela Alemanha, foi a lição que lhe ensinaram e que aprendeu com orgulho e convicção, mas compreende que é uma guerra desigual e de ódio gratuito. É avassalador ver esta transformação. Aposto que Sam Mendes, o realizador de '1917' também se deve ter enamorado por ele neste filme.