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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

29
Abr20

Como reconhecer pessoas de má índole?

Cláudia Matos Silva

É um pensamento que me ocorre às 3.22 da madrugada. Já devia estar a fazer ó ó, mas em vez disso, adivinha-se mais uma noite de insónia. Penso que nesta altura em que vemos a nossa vida de pernas para o ar, há muita gente com problemas de insónia, logo ocorrem pensamento destes.

 

Não falarei de nomes mas este post será escrito a pensar unica e exclusivamente numa pessoa. Não direi se é homem ou mulher, apenas que tem má índole. Também notarão ao longo deste post que escrevo madrugada dentro, que mesmo sem querer encontrarei maneiras de desculpabilizar o facto desta pessoa ser má. Não sei porque o faço, mas sei que faço, o que me leva ao próximo sentimento, idiota.

 

Sou muito sensitiva, talvez desde tenra idade, sinto coisas que não sei explicar, inclusive com as pessoas, especialmente com elas. Para facilitar diz-se de mim 'uma embirrante do pior' porque se 'o meu santo' não cruza com o de alguém, nem vale a pena forçar. Sempre me defendi dessas pessoas na medida dos possíveis, mais tarde já em adulta tinha de trabalhar directamente com elas e tive de aprender a jogar o jogo. No entanto, orgulho-me de nunca me despersonalizar, ser verdadeira à minha natureza ou ceder ao cinismo. O meu truque, revelo-o aqui e pode ser que vos seja útil, era fazer-me de desentendida. Nada via, nada sabia, nada ouvia....nada. Distraída, a que vivia com a cabeça no mundo da lua (o que não deixa de ser verdade), a esquesitona que preferes animais a pessoas, a indigna que não quer ter filhos, a menina dos seus pais que nunca teve de lutar verdadeiramente por nada. Posso assegurar-vos que tudo isto é verdade e que fiz questão de referir apenas o que corresponde à verdade no que diz respeito à minha fama.

 

Não julguem que estou a fugir ao tema. Quero que saibam que até eu com toda a capacidade de sentir as pessoas e as suas reais intenções já fui enganada e muito bem enganada. Pior, toda a gente à minha volta já tinha percebido o que se estava a passar menos eu, a que julgava ter naquela pessoa um amigo. Foi alguém que me sugou para o seu mundo, para os seus problemas, para as suas fantasias, os seus desejos, e aos poucos foi deixando descair uma certa maldadezinha...mas enquanto era com os outros eu estava bem e apreciava de camarote a hipocrisia. Via nela, a pessoa, uma certa esperteza (a saloia), sempre pronta a contornar a lei, a manipular as pessoas com uma simpatia absolutamente anti-natura. Ninguém é absolutamente simpático o tempo todo, notava-lhe os dentes cerrados enquanto os lábios se esticavam quase em esforço num sorriso aberto. Hoje a questão dos dentes salta-me à vista, havia um controlo muito grande naquele ranger de dentes, uma máscara que mantinha sob uma doçura cativante.

 

Andei uns dois ou três anos, embrenhada naquela simpatia, naquele sorriso (e só agora os dentes cerrados como quem força o auto-controlo me iluminam) e sempre disponível para tudo. A amizade é isso, não é? Estarmos sempre lá. Nunca tive amigos a sério, há os conhecidos e as pessoas com quem simpatizo ou antipatizo, mas nunca amigos. A minha sorte parecia ter mudado, eu tinha agora um amigo. Sentia-me vaidosa quando íamos ao café e ficamos horas na esplanada, eu a ouvir todas as histórias que hoje só me parecem uma ladaínha de quem sempre teve de entreter as suas presas por uma questão de sobrevivência. Sabem porquê? Porque no fim, era sempre eu que pagava o café, e o bolo, e o sumo e tudo o mais que possam imaginar. Eu pagava com gosto, mesmo tendo tão pouco para mim, era um prazer enorme ajudar. Hoje sei que estava a pagar por uma amizade, que nestas circunstancias nunca poderia tornar-se verdadeira.

 

Aos poucos fui percebendo que tudo naquela relação era ilusório. Tudo nessa pessoa é personagem, e ela tem várias personagens, de acordo com a necessidade. Naturalmente fui-me afastando, apesar das investidas da pessoa. Um dia, depois de meses a fio a fugir, decidi encontrá-la, à pessoa, na sua nova casa, onde pude apreciar que lhe tinha saído a sorte grande. Sentei-me num cadeirão super confortável e durante três horas, apenas ouvi e aplaudi tantos feitos extraordinários de alguém que quase esteve para ser despejado de casa e agora num golpe de superação se apresenta no seu melhor. Estava contente, genuinamente. Mas sentada naquele cadeirão, cai-me a ficha e sinto uma raiva imensa. Levantei-me, despedi-me inventando uma desculpa porque precisava sinceramente de respirar, de sair daquela nuvem claustrofóbica. Percebi que era fome, a fome deixa-me com muito mau feitio. Três horas nos aposentos de  luxo desta pessoa que nunca gostou realmente de mim, e nem um chá, nem umas bolachas maria, nem uma códea de pão. Nada! Eu não tinha ido a sua casa para comer mas para a aplaudir, para lhe dizer que era uma pessoa fantástica e que tudo o que tinha conseguido era justo porque tinha trabalhado para isso.

 

Quando finalmente comi passou a raiva e outro sentimento me enleou, a tristeza. Vim para a minha casa, olhei à voltei e senti-me uma merda, uma falhada, uma tipa sem objectivos, sem propósitos. Deitei-me no sofá drenada, sem pinga de energia, uma tristeza inexplicável. Foi nesse exacto momento que reconheci que todos estes anos servi de alimento a uma pessoa de má índole. Mais vale tarde que nunca. 

28
Abr20

Onde crescem as flores selvagens?

Cláudia Matos Silva

Na verdade crescem em todo o lado. Até mesmo em passeios, às vezes entre duas pedras da calçada lá está uma flor. Basta virem os primeiros ares da primavera e há flores por todo o lado. Toda a gente sabe isso então qual é a utilidade deste post? Bom, estou a informar-vos que nunca tinha reparado. Quer dizer, sabia mas nunca me dei ao trabalho de observar atentamente a quantidade de flores coloridas que crescem em todo o lado. Até mesmo em montes que antes consideravamos local de despejos, sitios pouco agradáveis, autênticas estrumeiras a ceu aberto e se espreitarmos por esta altura há pequenos pontos de cor; amarelo, rosa, branco que se espalham florindo a cada dia que passa. Sempre ouvi dizer 'onde há merda nascem flores', agora esta frase faz efectivamente sentido. Antes associava a expressão ao facto de pais feios terem filhos bonitos, o que às vezes nos deixa intrigados. 

 

Nesta quarentena podendo apenas sair para o tal do passeio higiénico ganhei o hábito de percorrer o vasto matagal que envolve os prédios do meu bairro. Há lá flores lindissimas que crescem no meio das silvas, algumas rasteiras, outras altivas, há para todos os gostos. As que estão a ser alimento de insectos nem lhes toco. Vou colhendo algumas, são lindas mas nem sei como se chamam. Há no entanto o rosmaninho, e as abelhas adoram rosmaninho, azar que eu não gosto nada de abelhas. Antes de me atirar ao rosmaninho, confirmo que o caminho está limpo e que as abelhas já sugaram da flor tudo o que pretendiam. 

 

Venho pelo caminho com uma mão cheia de flores silvestres e de coração cheio de uma sensação boa. Os pulmões bombeiam o ar na porção certa, estou calma em harmonia com o meio. Chego a casa e a primeira coisa que faço é tentar improvisar uns vasos em copos altos e canecas. Ficam lindas, mas nem todas resistem a ser retiradas do seu habitat. Talvez seja egoismo meu, talvez colher flores não seja a coisa mais sensível do mundo, porque se tudo é energia, também as flores irão murchar longe do local onde nasceram. Oh bolas, não posso pensar assim. Daqui a pouco estou a mordiscar uma cenoura e com um enorme sentimento de culpa porque com os meus dentes estou a destruir-lhe os sentimentos de cenoura embalada. 

 

A capacidade que eu tenho para estragar qualquer história bonita é algo que diria ser um talento, uma herança do meu pai, certamente. Já viram a volta que este texto deu?

27
Abr20

Quem é a velha histérica?

Cláudia Matos Silva

Num dos nossos telefonemas, longos e sem nenhum interesse, ouve-se o sino da aldeia. Ela diz-me entre um sentimento de espanto procedido de constatação 'Ah deve ir hoje a enterrar a velha histérica que suicidou'. A informação entregue daquela maneira intrigou-me. Havia muita coisa a reter; uma velha, quem? Matou-se, porquê? Histérica?

 

Ela começou a explicar-me a história, que na verdade pouco interessa mas que nesta época ajuda a tirar as ideias do assunto que mais nos apoquenta, então vamos lá. Uma velha danada para a brincadeira, fico a saber, desde jovem era moça namoradeira e que gostava do que todas nós gostamos mas que por uma questão de pudor ainda temos complexos em assumir, sim falo de sexo. Ao que parece a velha ainda me era 'aparentada' palavra inventada e que quer dizer que talvez fosse uma prima afastada pela parte do meu pai. É da parte do meu pai que chovem versões que me parecem completamente inventadas mas a velha já não está cá para se defender. Dizem que se matou porque o moço dos recados que costumava ir lá a casa andava a falhar com as suas obrigações. Questiono-me, uma senhora com 80 anos ainda fode? Diz o meu genecologista que uma das suas pacientes, senhora dos seus 80, ter-se-á queixado que sentia uma dor por cada vez que tinha um orgasmo. Revelação do caraças!!! Aos 80 ainda vou conseguir ter orgasmos!!

 

Adiante. A história já está a ficar confusa, não é? A velha matou-se ou será que foi morta? Para todos os efeitos suicidou-se, assunto encerrado. Diz que se enforcou. Acho estranho, é preciso uma série de preceitos para tal, inclusive força. Não nego, acho estranho, uma mulher ainda desperta para o sexo, autónoma, vivendo na sua casa, cuidando das suas coisas, suicidar-se do nada. De qualquer forma este acontecimento vem na pior altura para se tentar investigar o que quer que seja, todas as energias estão apontadas para o bicho, o que tem nome de cantora techno do início dos anos 90, CORONA. 

 

Em toda a aldeia diz-se da velha uma histérica. Falo da condição clínica, pessoa que sofre dos nervos porque 'supostamente' tem falta de sexo. Uma história antiga, ao que parece desde tenra idade a velha que era nova, tinha comportamentos tresloucados, erráticos, descontrolados a que só a minha avó paterna conseguia pôr um fim. Pensem o que quiserem, mas se fosse mesmo falta de sexo, não era propriamente a minha avó que a podia acudir, a minha avó beata dos sete costados. Bom, a não ser que lhe benzesse a periquita e lhe entalasse o crucifixo para lhe dar algum consolo. É obvio que estou a inventar.

 

Aliás, a minha aldeia é conhecida por ter muitas mulheres histéricas. E eu acrescento, é um lugarejo cheio de homens rebarbados e com um recalcamento qualquer. É obvio que os machos confirmavam tudo e diziam até dar o corpo ao manifesto para acalmar mulheres inquietas que coitadas padeciam de histeria, o tal problema dos nervos. O povo é mesquinho e ignorante e ao ouvir esta quantidade de disparates ao telefone, revoltei-me. Foda-se, uma mulher morre e nem sequer fico a saber o nome dela. Não sei que inscrição estará na sua lápide mas para todo o sempre será recordada como a velha histérica. E apesar de vos contar a história com o humor que me é caracteristico, acho revoltante. Somos reduzidos a uma merda de uma alcunha, de um título, de uma etiqueta ou rótulo. É isto que nós somos?

26
Abr20

Já viram o novo video do meu canal?

Cláudia Matos Silva

Baseado num acontecimento da semana passado. Um assalto, ou uma espécie de assalta,, melhor dizendo tentativa falhada de assalto por três miúdos com idades entre os 18 anos que, talvez tenham aprendido a lição das suas vidas. Uma notícia que passou relativamente discreta nos media porque o assunto que se impõe é o CORONAVIRUS. Mas para desanuviar um pouco, pensar noutras coisas e rir do falhanço dos outros, apresento Bangladesh Power Rangers. Podia ser um filme, uma comédia, 4 homens do Bangladesh vão até às últimas consequências para defenderem o seu mini-mercado de larápios. Divirtam-se.

15
Abr20

Quem ganha com o CORONAVIRUS?

Cláudia Matos Silva

Em tempos de crise surgem grandes oportunidades e oportunistas. É assim desde sempre, portanto não é de estranhar que nesta pandemia haja já quem esteja a benificiar. Neste video falo naquele tom habitual (que uns poderão achar de humor outros de parvo) de quem leva a melhor com o CONVID19. 

 

Deixo ai a dica para subscreverem o canal. É grátis (quase haja dúvida).

09
Abr20

Ando abatida mas será que não andamos todos?!

Cláudia Matos Silva

Ao fim de algumas semanas consegui finalmente uma video chamada com a minha mãe. Ela disse-me que eu lhe parecia abatida. Achei que conseguisse disfarçar, mas nunca fui muito talentosa na arte do faz de conta. Não saio praticamente de casa, sinto-me presa, oprimida, com medo, com nervos, insónias, raiva e revolta. Depois, dou dois passos atrás e penso, pára de ser egoista, está toda a gente a passar pelo mesmo, não foi o universo que se uniu para me tramar, não sou assim tão importante ao ponto do universo se ralar com os meus anseios.

 

Bebo de alguma humildade e tento entreter-me. Faço crochet, tento ver um filme no Hollywood, tento usar a Netflix com um mês gratuíto mas não consigo, volto a irritar-me e a achar que nada me corre bem. Respiro fundo, vou à cozinha e bebo um danacol, diz que ajuda a baixar o colesterol.

 

Sinto-me sem energia, durmo e acordo a custo. Escrever este post está a ser dificil, o portatil mal se aguenta nos meus joelhos, estou sempre a falhar as teclas e na tv a jornalista diz que há mais 3 mortos em Portugal por Covid19. Pelo meio desta desgraça que se abateu no mundo lá vou fazendo humor, mas até ele é escasso, baço, seco, sem graça.

 

Volto a pegar nas agulhas faço um girassol em crochet mas não vejo hora de o sol brilhar. Actualizo o instagram e há lives para todos os gostos, ainda espreito pela minha janela, na rua as pessoas deslocam-se como se tudo corresse de feição; sem distanciamento social, sem protecção, ao que parece está tudo bem. Fico perdida, estou há um mês em casa, ando agastada, pálida, angustiada mas lá fora há quem viva normalmente. No meu prédio ouvem-se obras, entram e saem homens que tocam nas portas, nos corrimões, nos interruptores sem qualquer cuidado. Dizem que vivemos em estado de emergência mas sinto-me num mundo paralelo. Será que tudo isto é somente um sonho mau?

08
Abr20

Quais os MEMES do momento?

Cláudia Matos Silva

É dificil acompanhar tantos que diariamente são produzidos por gente que está em casa, falo dos memes, a arte de imitar a realidade. O Covid19 e a quarentena são tema obrigatório porque mesmo que queiramos falar de outra coisa, inevitavelmente os assuntos vão ter ao Corona. Os nossos dias são definidos por este inimigo invisivel e nunca se tirou tão poucas selfies como nesta altura. Especialmente as influenciadoras não se querem revelar pálidas e abatidas, por isso dedicam-se a fazer bolos e chás de ervas e assim alimentam as suas redes sociais, também recorrendo ao humor dos memes. Deixo-vos aqui uma espécie de 'best of' de memes, recolhidos muitos deles com a ajuda dos meus seguidores.