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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

24
Fev20

Como fugir do carnaval?

Cláudia Matos Silva

Eu vou contar-vos um segredo. Sabem, há pessoas que não gostam do carnaval e eu sou uma dessas pessoas que metem nojo. Assumo que não sou meiguinha e as sambistas ou sambeiras (ou o raio que as parta) fazem muito sentido lá no Rio de Janeiro ou no Ceará, em Portugal é forçado e nem sequer faz parte da nossa tradição. Ah e tal abracemos a tradição do nosso povo irmão, abracem-na vocês que eu tenho coisas bem mais interessantes para abraçar.

 

 

Na escola, lembro-me de guardar as faltas todas para a semana do carnaval, por isso, ninguém me via por essa altura. Eu sumia do cimo da terra porque comigo não funcionava a máxima 'é carnaval ninguém leva a mal'. Eu levava e continuo a levar, tanto que fujo de toda e qualquer manifestação carnavaleira e lá vou conseguindo. Apesar de haver sempre crianças mascaradas, e essa é a parte que acho encantadora, aliás acho muito positivo que na escola se envolvam em actividades criativas relacionadas com o carnaval. De resto fujo a sete pés para locais onde à partida não se encontram as cuzudas do bronze do solário com sapatos de tacão e o mamaçal cheio de gliter a dançar ao som de uma batucada infernal.

 

 

Adoro arte urbana e duvido que nesta altura ande alguém entretido a fotografar graffittis ou manipulos de portas catitas, mas decidimos fazer isso porque é algo que francamente nos preenche, seja em que altura do ano for. Como está toda a gente nos cortejos não encontramos empatas pelo caminho, nem os maluquinhos das selfies que demoram trinta minutos em frente a uma parede só a fazer 'bicos de pato'. Foi realmente pacifico e até passamos por turistas na nossa própria cidade. E está tudo bem porque não precisamos de ir para longe para ver coisas bonitas que pontuam os murais de Almada.

 

 

Andar atrás de graffitis é bastante estimulante porque sabemos que aquela obra não estará ali para sempre. Com o passar do tempo a tinta vai ficando desmaiada, os muros começam a descascar ou simplesmente é substituido por outro. Registar a arte a ceu aberto nos locais mais inusitados é desafiante. 

 

 

Esta foi a nossa maneira de fugir ao carnaval, pelo menos nos últimos dias, ao que parece a festa de arromba é amanhã, portanto temos de nos levar mais longe na desafiante arte de encontrar graffittis. Sabemos que nos edificios abandonados da Romeira, local onde operaram fábricas agora desactivadas há muitos e bons, mas precisaremos de alguma dose de adrenalina e uma boa lanterna, porque da última vez que nos aventuramos debaixo de tecto, alguém acabou com um prego espatado nos ténis e isso não foi porreiro.

 

21
Fev20

Marega; racismo ou não?

Cláudia Matos Silva

Roubando as palavras do Pinto da Costa, mais que racismo revela estupidez. Se a esta altura do campeonato ainda há gente racista, o que terá corrido mal na evolução da espécie?

 

Há quem efectivamente ainda esteja na pré-história mas move-se entre nós, trajando bem, manuseando alta tecnologia, puxando dos carcanhois para se fazer valer, mas é quando abre a boca que tudo fica a nú. Eles andam ai, tenham cuidado com esses símios que já não pulam de galho em galho, mas nos ultrapassam  a alta a velocidade com os seus grandes carros de bancos rebaixados.

20
Fev20

Vale a pena ter um podcast?

Cláudia Matos Silva

Para quem tem coisas a dizer, sim.

A rádio e os seus gloriosos dias passam agora por uma enome provação. A rádio é ouvida ou por idosos ou preguiçosos. A nova geração não tem paciência para esperar, esperar pela sua música favorita do momento, para a conversa do locutor sobre o tempo, para as interrupções das notícias, especialmente quando conseguem tudo através do Spotify. Ainda há muita gente que não aderiu ao spotify por não compreender o que é, mas eu explico; é uma rádio mas sem aquelas tretas todas que nos obrigam a ouvir. É uma rádio em que nós próprios somos os djs de serviço, onde criamos playlists para todos os momentos e estados de espírito e onde podemos também ouvir programas, os tais dos podcasts. 

 

O podcast não é coisa nova, há mais de 20 anos tive os meus primeiros podcast, ainda me lembro, OPA - ONDA PORTUGUESA NO AR - hoje acho o nome terrível, mas servia um público em busca das novidades da música nacional. Um podcast é um programa de rádio falado mas....disponível a qualquer hora. As regras impostas pelo formato radiofónico já não se aplicam ao nosso lifestyle e por isso a rádio lá vai combatendo as dificuldades trazidas pela evolução supersónica da tecnologia, tentando a todo o custo apanhar o seu público. É justo dizer que a rádio hoje corre atrás das pessoas para que não a abandonem, tendencia bem diferente nos 80s e 90s quando, nós, o público, não largavamos a rádio porque queriamos ouvir aquele programa, aquela música ou aquele locutor.

 

Acreditem dizer-vos isto entristece-me mas ao mesmo tempo não posso negar os factos, a minha profissão, locutora de rádio, no formato em que hoje se apresenta, está em vias de extinção. Por isso, tenho-me mantido sempre em cima do que é a actualidade criando conteúdos como o meu canal no youtube e agora um podcast, porque eu tenho sempre coisas a dizer:)

Chama-se MACACOS ME MORDAM e não tem um tema, uma linha, uma agenda, um livro de estilo....nada. Producto crú, eu, o meu telemóvel e uma mão cheia de ideias que às vezes levam a algum lado, outras vezes baralham-se, perdem-se, confundem-se e confundem-me.

 

Ao longo deste post devem ter reparado que o fui polvilhando com as ligações para cada um dos episódios já disponíveis. Os mais conservadores é melhor ficarem a ouvir a RFM ou a Comercial.

19
Fev20

Ao que soube 'Sex, lies and videotape'?

Cláudia Matos Silva

 

...soube-me a  nostalgia.

 

Um dos meus filmes favoritos, não o via há anos, e numa de retomar velhos hábitos, fui à minha prateleira de velhos DVDs e escolhi deliberadamente 'sexo, mentiras e video'. O que despoletou esta vontade foi James Spader, de quem alguém me terá falado a propósito de 'TUFF TURF', um teen movie de 1985. O filme pode ser visto integralmente no youtube mas ao contrário do que me disse o meu amigo Austríaco, não o considero uma 'masterpiece'. Tem no entanto o James Spader que enquanto homem está tão bem compostinho que sim, naquele idos 80s e 90s era um pedaço dos ceus, sim dos ceus, que o rapaz ainda por cima é de relações longas e super dedicado à família.

 

 

Lembro na altura em que estreou 'sexo, mentiras e video', toda a gente aguardava 'fodanga' valente ainda na senda do 'império dos sentidos' mas tal não aconteceu. Não se vê um mamilo, uma nádega, não há sexo neste filme...mas remete-se para a importancia que ele tem na nossa vida. E tudo depende do contexto, às vezes é preciso mostrar, ser explícito, roçar até no badalhoco, outras não. 

 

 

Steven Soderbergh, investiu tudo num bom guião e num bom elenco, tudo o resto revela um filme de baixo orçamento, mas nem esse aspecto o prejudicou na hora de receber uma série de prémios importantes por 'sex, lies and videotape' inclusive em Cannes. Quem diria que Steven, o realizador que faz filmes independentes virasse o jogo para produções de grande orçamento como 'Ocean's 11' e respectivas sequelas?! Bom, uma pessoa tem de começar por algum lado e creio que 'sexo, mentiras e video' foi a grande escola do realizador Soderbergh. E actores como James Spader, Andie Macdowell ou Peter Gallagher, todos com carreiras lançadas, aventuraram-se numa produção tão pobrezinha mas ao mesmo tempo tão grandiosa...é ainda hoje um dos meus filmes favoritos e tive a certeza quando o revi. 

 

 

Mais de 20 anos após a primeira vez tive uma nova percepção da história. O que eu julgava ser uma casualidade, não quero 'spoilar' para quem ainda não viu, agora pareceu-me deliberado. O personagem de Spader, o solitário e introvertido Grahm, não apareceu em cena ingenuamente como me fez acreditar há 20 anos atrás. Delicado, reservado, regressa à sua cidade Natal com um plano, uma malícia que nunca tinha visto. Porque a vida nos vai ensinando que nada acontece por acaso e Grahm foi na verdade ajustar contas com o passado e eu só agora vi isso. Quando revir 'sexo, mentiras e video' daqui a 20 anos que outras percepções terei?

09
Fev20

Como lidar com os 'haters'?

Cláudia Matos Silva

Ignorá-los é realmente a mais eficaz arma de quem se vê atacada por eles. Porque aquilo que um hater realmente precisa é de atenção, a atenção que ninguém lhe dá no mundo real, e que busca virtualmente espalhando o terrorismo psicológico. 

 

O hater geralmente aparece quando fareja sucesso. E eu que me tenho congratulado de não ter haters no meu canal, quem tramou a gordinha, devo dizer que começaram agora a chegar com o video 'Quem tem medo de Joacine Katar?' que já ultrapassou a assinalável marca das 20 mil visualizações e que para o bem da minha conta, já me está a valer uns tostões. Tenho de agradecer a todos os maravilhosos haters por isso, apesar de não deixar que os seus comentários sejam aprovados. Uma pena, não é?

 

Imagino o hater a espumar para o teclado, escrevendo algo tão odioso para depois aparecer a mensagem 'o seu comentário está para aprovação' e depois pumba, não é aprovado. Tenho pena porque deram o seu melhor na arte de odiar e nem nisso conseguem ser realmente bons porque...eu não deixo. Claro que não deixo passar comentários odiosos à minha pessoa, é como se estivesse a abrir a porta de minha casa a alguém que fosse para lá falar mal de mim.

 

Mesmo sabendo que muitos dos comentários odiosos não têm pés nem cabeça, alguns com erros ortográficos e tudo (e isso é inaceitável), escritos por pessoas que não dão nem nome nem rosto e que se limitam a tentar ofender gratuitamente quem (ao contrário deles) dá a cara e se revela num bom momento de especial criatividade, mesmo assim não vou negar, ter de ler algumas coisas custa. Mesmo tendo o prazer de as apagar, magoam. Mesmo sendo mentira, deixam marca. Mesmo sendo pura inveja, melindram. Mas esta é a parte que os haters não têm de saber.

 

Xiu, os haters não tem de fazer ideia do que pensamos deles, e isso elouquece-os. Não obterem qualquer resposta, serem total e absolutamente ignorados é de os deixar a odiar-nos ainda mais. E no fundo é o ódio deles que continua a alimentar o nosso trabalho, infelizmente, mas é assim que funciona. Eles odeiam, nós ignoramo-los e continuamos a fazer o nosso melhor trabalho. E assim se aplica a sabedoria do povo 'os cães ladram e a caravana passa'.

03
Fev20

Que tal o filme do Bruno Aleixo?

Cláudia Matos Silva

Eu gostei bastante. Foi uma hora e tal bem passada mas não se pode dizer surpreendente. Quem conhece o fenómeno Bruno Aleixo reconhece o humor e admira os guiões que não têm jeito nenhum, irá gostar porque está lá a formula criada pelo João Moreira.

 

A maior parte das vezes tudo se resume ao personagem Bruno Aleixo e à sua personalidade extremamente irritante, já para não falar da voz. Ninguém pode ter aquela voz, pensamos. Mas há um jovem de seu nome João, criador do Bruno Aleixo, natural de Coimbra, que é o real detentor da mais irritante voz de todos os personagens possíveis e imaginários. Ele fala mesmo assim (apesar de dizer que exagera para o personagem) e desconfio que é tão ou mais chato que o próprio personagem. 

 

 

Quem gosta do Bruno Aleixo, desde os primórdios do youtube, vai gostar do filme porque basicamente é mais do mesmo. Apesar de entrarem actores de método como o Adriano Luz ou o Rogério Samora dobrados com as vozes do Bruno Aleixo e o homem do Bussaco. São momentos inesperados e surreais e perguntamos como terão convencido um elenco tão fantástico como o Gonçalo Waddington, José Raposo ou João Lagarto a entrar nesta aventura tão palerma. Terão recebido um cachet de luxo? - não me parece. João Moreira explica que alguns dos actores não conheciam o fenómeno Bruno Aleixo e mesmo assim saltaram logo para o projecto. Bom, de génio e louco todos temos um pouco e estes actores foram às cegas conduzidos por um grupo de guionistas completamente subjugado às vontades do irritante e comichoso Bruno Aleixo. Foram loucos é verdade, mas em nada melindra as suas carreiras já devidamente cimentadas.

 

Direi que este filme é uma loucura saudável, uma parvoice mas das que faz bem ao coração. Um projecto que tem eco em Portugal e no Brasil, sem que ninguém entenda bem porquê. João Moreira tem mãe brasileira mas creio que isso não valerá de muito na hora de entender o impacto que o conceito Bruno Aleixo teve no Brasil. Aliás, o filme estreia em Portugal e no Brasil, tomara muitos.

 

O filme recomendo-o a quem já familiarizado com o formato quer no youtube ou na sic radical, caso contrário, deixem-se ficar e esperam pelo filme num desses sites macacos que nos deixam ver tudo em streaming. Apesar de popular o filme do Bruno Aleixo não é para toda a gente.

02
Fev20

Já ouviram falar no Dolly Parton Challenge?

Cláudia Matos Silva

Tem sido o assunto dos últimos dias, aliás já vamos com mais de uma semana e o assunto continua a pingar. A questão é que não se entende lá muito bem o porquê de todo este sucesso, mas é algo que viralizou e no qual a maioria dos cibernautas se quiseram envolver partilhando memes onde revelam fotos dos seus perfis referentes às principais redes sociais do momento, Linkdin, Facebook, Instagram e Tinder. Deixo-vos aqui o nosso video do canal e se acharem por bem subscrevam e gostem muito:)

01
Fev20

O que é que os sonhos nos querem dizer?

Cláudia Matos Silva

 

Há quem não lhes dê muita importancia, há até quem acorde atordoado e resuma tudo o que sonhou como algo sem sentido. Mesmo quando não compreendo o sonho, eu sei que ele me quer dizer qualquer coisa, porque tudo fica guardado na nossa psique. Durante a noite noite quando estamos com as defesas em baixo, o nosso cérebro aproveita para organizar em gavetas devidamente etiquetadas as nossas vivencias, impressões, pensamentos, sentimentos e tanto mais que faz de nós aqueles seres únicos, ideia que a malta dos discursos motivacionais adora pregar 'TU ÉS UM SER ÚNICO'. Eu por acaso sei disso e às vezes dava-me imenso jeito não ser assim tão única porque fica dificil comunicar com a maior parte das pessoas. Sinto-me uma extra-terrestre e se até uso isso a meu favor para fazer humor, a maior parte das vezes causa-me angústia e desconforto. E é nos sonhos que estas angústias desaguam.

 

Eu sonho muito, tanto, imenso, em demasia até. A maior parte das vezes não me lembro deles, ou conforme os minutos vão passado o sonho vai-me escapando da memória e isso chateia-me. Às vezes tento retê-lo à força na memória mas parece que me escapa numa brincadeira de gato e rato. Não acho graça nenhuma. 

 

Desta vez agarrei o sonho com as próprias mãos. Anda cá, não fujas, disse-lhe, ao sonho. E ele ficou sossegadinho para que eu pudesse rever, vezes sem conta como quem vê um filme numa tela gigante. Ali estava eu, num quarto de hospital, vestida com uma bata e caminhando de um lado para o outro. Ao meu lado estava o Sérgio, alguém que sigo no instagram e com quem partilho algumas inquietações sobre esta coisa de ser 'youtuber'. Continuo a caminhar de um lado para o outro e faço perguntas ao Sérgio, digo-lhe que sinto uma pressão na bexiga e ele aconselha-me a continuar a andar, é normal, o bebe está a ganhar posição para encaixar. Hum? Eu estou grávida? Olho por mim abaixo e sim estou gravidissima, o Sérgio não é o pai, e creio que esta será uma gravidez ao estilo 'espírito santo'. Sinto-me toda encharcada da cintura para baixo, o Sérgio desaparece do sonho, eu vejo-me numa sala com as pernas levantadas. Há muita luz naquele sitio, eu tento perceber o que se passa entre as minhas pernas e o que vejo de lá sair é inacreditável. Como se fossem bolas de sabão; leves, coloridas, frágeis mas são na verdade, bebés. Consigo contar uns 3, ali pairam como um balão que está agarrado por um cordel para não fugir.  A uns metros das minhas entranhas continuam a pairar aquelas crianças que supostamente sairam de mim com uma harmonia incrivel, como se parir fosse pura poesia. 

 

E poderão dizer que este sonho é uma parvoice mas não é, garanto. Na minha cabeça dar a luz é só das coisas mais terriveis que há, terriveis no pior dos sentidos. Não se choquem, mas não vejo beleza alguma entre visceras, sangue, suor, dor e uma vagina rasgada até sabe-se lá onde. Talvez este sonho só quisesse desmistificar este meu preconceito, dizer-me que pôr alguém no mundo é a mais bonita missão de uma mulher. No meu consciente tomei a decisão de não ser mãe mas há duvidas que estão guardadas no subconsciente e é nos sonhos que essas duvidas se vão manifestando, como quem acena o relógio 'tic tac' já não tens muito tempo.  Eu sei que o tempo está a fugir-me mas eu não quero e não posso ser mãe, ok?!