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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

30
Jan20

Será que devemos ter todos os dentes branquinhos e direitinhos?

Cláudia Matos Silva

Uma questão que se levanta com o comentário que a Cristina Ferreira fez à ministra da saúde Marta Temido, sobre o facto dos seus dentes serem desalinhados. O video desta semana é um pouco menos parvo que o costume porque falo honestamente e exponho a minha real opinião, o que nem sempre acontece nos videos deste canal onde reina a sátira. O assunto em questão é-me sensível porque ao ver-me rodeada de pessoas com dentes impecáveis fico com a sensação de que estou deslocada ou que posso ideia de desleixo. Após algumas conversas com dentistas percebi que não, não há nada de errado com os meus dentes nem com os da ministra da saúde, Marta Temido. Quem não se sentir bem com os seus que os corrija, os meus enquanto assim estiverem para mim estão muito bem.

 

Espero que gostem do video e não se esqueçam de subscrever o canal, tá bem?

29
Jan20

Porque te pintas?

Cláudia Matos Silva

- Para ficar bonita.

- E porque não ficas?

 

Era uma paródia dita cá em casa, como tantas outras que juntas davam um livro, e que ajudaram a tornar a minha infância e adolescencia menos cinzenta. 

 

 

O post não é sobre infância ou adolescencia mas sobre o facto de eu ter voltado a maquilhar-me. Sinceramente achei que não voltaria a fazê-lo e nem sei ao certo os motivos, mas são vários. O primeiro é porque não sei maquilhar-me, por mais tutoriais que veja tudo me parece dificil mesmo quando dizem que é fácil. Depois sou demasiado preguiçosa e não me parece fazer sentido maquilhar-me para ir ao Pingo Doce. E há muitos mais motivos que devido à preguiça não vou mencionar, aliás, eu não sou mais presente neste blog pelos mesmos motivos pelos quais não me maquilho; não acho que escreva assim tão bem e só de pensar vir para o pc, sentar-me em frente ao teclado dá-me uma preguiçaaaaa.....

 

Porém, com a minha presença diária no instagram, falando com os meus seguidores percebi que estava constantemente desgrenhada, cara-pálida e de pijama. Um vez por outra é giro, faz de mim até meio destemida, arrojada...uau...de pijama e ainda com aquele bafo matinal dos infernos e a gravar stories, que mulher corajosa. Mas sinceramente, até a mim já me começou a incomodar estar sempre enfiada na porra de um pijama com os lábios pálidos e gretados a mandar postas de sabedorias a quem tem a paciência de me seguir. 

 

 

Então pensei, nem que seja para eu me sentir bem e tentar quebrar a tal da preguiça vou comprar umas pinturas e borrar a cara. Tenho-me sentido melhor, pelo menos quando olho ao espelho, noto que mesmo não percebendo da arte de maquilhar, uma sombrinha dá sempre um 'glow' e um baton - mulher e baton deviam ser inseparáveis. É claro que às vezes chateio-me e volto a entrar em modo pijamix e nem uma pinga de água passo pela cara mas estou muito orgulhosa  pela iniciativa e pelo atrevimento. Porque quando o caminho me é desconhecido, acanho-me e recuso seguir em frente. E sim, estou só a falar de maquilhagem, ou talvez não, mas tê-la comprado e atrever-me a usá-la foi para mim um passo de gigante rumo  ao desconhecido,  e assim deixo este medo para trás. Agora faltam os outros medos...um medo de cada vez...

27
Jan20

Porque motivo não quero ver o último episódio da série 'Spinning out'?

Cláudia Matos Silva

 

Porque não suporto a ideia de ver a série terminada, sem saber se haverá uma segunda temporada. É uma sensação de vazio que alguns de vocês talvez entendam. É claro que esta série 'Spinning out' não se equipara a outras, secalhar não há motivos para me ter apegado tanto à história e às personagens, mas aconteceu. E aposto que aconteceu com outras pessoas um pouco por todo o mundo.

 

 

'Spinning out' toca em temas que aprecio; patinagem artística, famílias disfuncionais, doença mental, entre outros sub temas que são o sal e a pimenta de uma série que à partida julgaríamos demasiado teen, demasiado imatura, demasiado cor-de-rosinha, demasiado demasiado...para interessar a uma mulher que já não se deixa encantar por histórias de amor ao estilo 'o rapaz conhece a rapariga na aula de biologia'. 

 

 

'Spinning out' é claramente uma série que se foca mais no universo feminino, o que não quer dizer que os homens não queiram ver, e vai ao encontro dos desafios que encontramos quando a doença mental se atravessa pelo meio. Nenhum de nós está a salvo e é um erro dizer que 'maluquinhos' são os outros. Infelizmente o tema é ainda tabu e poucos assumem que precisam de medicação para lidar com as exigencias do dia a dia, lá está 'maluquinhos' são os outros. A verdade é que todos nós somos feitos de luz e sombra e não há novidade nenhuma nisso, portanto ainda me espanta que se escondam problemas do foro psíquico como se fosse uma doença venérea. 

 

 

Uma das coisas mais certas, é que mais dia menos dia vamos lidar com problemas do foro psicológico e sim 'maluquinhos' somos todos nós, não vale a pena fingir que o assunto não existe porque é preciso, aos poucos, ir recolhendo ferramentas e prepararmo-nos para quando nos bater à porta. E uma dessas ferramentas, senão a mais a importante, é aprender a assumir e pedir ajuda.

 

 

Por enquanto lá vou lidando com as minhas sombras o melhor que posso e aguardo confirmação da segunda temporada de 'Spinning out' e assim fica pendurado o último capítulo da primeira temporada. É uma sensação reconfortante saber que não chegou ao fim, que há ainda um episódio por ver, à minha espera, para me servir de companhia. No fundo, estou só a guardar o melhor para o fim, esperando que o fim ainda venha longe.

26
Jan20

Ó vizinha, o que é feito da nuvem que tem sempre em cima da sua cabeça?

Cláudia Matos Silva

Ao vê-la passear o cão, mal a reconheci, a minha vizinho do direito. Uma miúda com uns 20 anos; bonita, elegante, sempre bem vestida e acompanhada com pessoas de elite. Porém nem o brilho dos grandes carros que trazia aqui à rua faziam transparecer nela o brilho  do sol. É uma energia que não consigo explicar mas parece sempre coberta de nuvens a pairar-lhes sob a cabeça e por isso o sol nunca consegue romper aquele manto cinzento.

 

Na verdade nunca lhe estranhei o semblante porque a mãe partilha da mesma vibração macilenta, alguém com dificuldade em esboçar sequer um sorriso e cujos olhos descaem como os daqueles cartoons quando fazem caras tristes. Serão estas duas vizinhas; mãe e filha, dois cartoons? Nunca as vi como tal, porque os cartoons fazem-me rir e a elas não lhes consigo encontrar gracinha nenhuma. Apenas mulheres de mal com a vida, maldispostas ou mal educadas, a ter em conta as vezes que me fecharam a porta da entrada do prédio mesmo na cara.

 

Acontece que esta semana vi a jovem e mal a reconheci, tive de olhar uma segunda vez, e só percebo que era mesmo ela porque estava a passear a cadela preta de coleira cor-de-rosa. Havia um sol que brilhava no semblante dela. Os traços do rosto estavam mais suaves, apesar dos seus 20 anos, sempre lhe vi as linhas do rosto demasiado vincadas para alguém de tão tenra idade. Pela primeira vez vi-lhe a luz e percebi porquê.

 

Havia sido mãe, e realmente já muitas vezes ouvi dizer que as mulheres mudam com a maternidade. Claramente a minha jovem vizinha do direito transformou-se numa mulher e ao contrário da mãe que a pariu continuar com a mesma atitude de que todos lhe devem e ninguém lhe paga, a filha encontrou motivos para sorrir. Espero que consiga ser melhor mãe do que a que lhe coube em sorte(azar).

21
Jan20

Quem tem medo de Joacine Katar?

Cláudia Matos Silva

Há muito que os meus seguidores sugerem que aborde o tema Joacine. O fenómeno passou-me um pouco ao lado até ouvi-la gaguejar pela primeira vez. Fiquei bastante incomodada e tive até de mudar de canal. As polémicas têm sido sucessivas mas eu não queria de todo que este fosse um video com uma abordagem polémica. Sim, tive a minha própria auto-censura em cima da cabeça porque sei que a Joacine gosta muito de usar as redes sociais para alimentar ainda mais tretas, e não me apetecia nada ter um filme desses na minha vida....já me basta a história do homem que vende aspiradores. Acho que fiquei traumatizada. Bom, quem não souber de que estou para aqui a falar é porque não tem seguido o canal quem tramou a gordinha? - tá mal, muito mal. É favor subscrever, é gátis e tudo, pá.

20
Jan20

Será que a noite é nossa amiga?

Cláudia Matos Silva

Foi uma afirmação que me saiu num storie no instagram, onde sou bastante activa e faço muitas reflexões.Aproveitei o tema para o trazer aqui em jeito de pergunt,  porque tenho realmente muitas dúvidas que a noite seja assim tão nossa amiga quanto isso. A noite é sorrateira, silenciosa, manhosa, enganadora. Apesar de tudo eu sempre gostei da noite mesmo sabendo que vivê-la faz mal à minha saúde mental.

 

Não julguem que vivo a noite activamente, saindo para os copos entre amigos e cambalhotas de ocasião, nada disso. Eu vivo a noite em casa, calmamente, a fazer coisas que me dão gosto. Faço-o desde o tempo da adolescencia em que da porta do meu quarto para dentro eu podia fazer o que quisesse, então eu ficava acordada a noite inteira. O meu pai nunca compreendeu o que raio eu fazia durante tantas horas acordada, a minha mãe bem mais cúmplice dizia que eu fazia 'as minhas coisas'. E passados tantos anos, assim continuo, noite dentro a fazer as minhas coisas. 

 

Podia descrever que coisas são essas, talvez um dia o faça num outro post, mas não é disso que se trata. Porque motivo não aproveito o dia para fazer as minhas coisas? O dia não me inspira para tais coisas, é verdade, o dia não me inspira de todo se estiver enfiada em casa, bem pelo contrário, deprime-me. O dia é para viver fora de portas, partilhar momentos com os meus ou a conhecer pessoas, a trocar sorrisos, a sentir os cabelos ao vento, a palmilhar uma qualquer praia ou até a ir ao mercado comprar leite, pão e fruta. Por isso guardo as minhas coisas para a noite, porque a noite é silenciosa e tenho a ilusão de ser toda minha. Eu posso fazer o que bem entender que não está lá ninguém para me julgar. A noite é a sensação de impunidade ao assalto que faço ao frigorifico para me empanturrar de comida altamente calórica. A noite é a sensação de impunidade a pensamentos maus, às vezes horriveis, sobre os outros mas sobretudo sobre nós próprios. 

 

Como tudo na vida, deve ser com moderação, e na dose certa a noite é encantadora, misteriosa, romantica e acolhedora. Em excesso, a noite leva-nos para lugares onde não devemos estar, sitios de onde não sabemos conseguir sair, faz-nos mergulhar em angústia e depressão. A noite, que pensamos tão nossa amiga, é matreira e manhosa, faz-nos acreditar em coisas terr´veis sobre os outros mas acima de tudo sobre nós. A noite vivida profundamente não é nossa amiga coisa nenhuma porque nos rouba os dias, deixa-nos refém das horas tardias, troca-nos as voltas, faz de nós zombies que deambulam pelos corredores de casa às escuras e apalpando as paredes em busca sabe-se lá do quê. 

18
Jan20

Quem roubou uma flor do meu jardim?

Cláudia Matos Silva

Foi a Maria.

 

O meu jardim é grande e as flores estão viçosas o ano inteiro sem precisar de rega. Emanam um cheiro a lavanda que percorre Portugal de norte a sul com o risco de ultrapassar fronteiras por esse mundo fóra. O meu jardim é uma extensão do que consigo fazer com as mãos mas movida pelo coração. Faço flores em crochet e ofereço-as para que as pessoas sorriam mais. E tem sido assim, mesmo com a minha técnica ainda meio tosca, oferecia flores pouco perfeitas mas com a melhor das intenções, nunca desisti. Hoje ainda estou a aprender a fazê-las, é um processo contínuo, estão cada dia mais bonitas mas há um longo caminho até à perfeição. O cheiro esse não muda, vem do campo, a lavanda colhida pelo meu pai e que depois uso para preencher as malhas do meu crochet.

 

A Maria de 6 anos entrou no meu jardim, não me viu, mas viu as minhas flores e roubou uma. Disse que são lindas e ainda por cima têm a sua cor favoria, rosa, e não resistiu colhê-la e levá-la para a sua casa, para o seu quarto, para junto das suas bonecas, porque as quer cheirosas. Como me poderia chatear com a Maria quando me apresenta um argumento destes. 

 

 

Quem quiser uma das minhas flores é só dizer, terei muito gosto em oferecer, de coração e sem qualquer outra intenção que não seja estender cada vez mais o meu jardim para que outras pessoas possam sorrir. Porque há qualquer coisa nelas que enternece e gera nos lábios dos outros aquela bonita curva ascendente.

16
Jan20

Porque gosto dos testes do instagram?

Cláudia Matos Silva

Por nada de especial. Talvez me lembre aqueles testes que vinham nas revistas teen que nós, as pitinhas faziamos em conjunto, para no fim obter um resultado baseado nos pontos reúnidos. É uma experiência que me remete para os anos 90 e que na verdade tem tanta credibilidade como as linhas que um qualquer astrólogo da moda escreve para um jornal. Ninguém acredita mas todos gostamos de dar aquela espreitadela. Há sempre qualquer coisa que bate certo porque os palpites são escritos com esse intuíto. Cenas vagas da vida de todos nós. Nestes testes do instagram, um dos tipos de filtro que está mais na moda, a malta vai respondendo a uma sucessão de perguntas e depois partilha em stories que podem ser vistos pelos seus seguidores. É só isto. Não tem ciência nenhuma mas entretem e só por isso já vale a pena.

15
Jan20

Já viste o último filme com a Juliette Binoche?

Cláudia Matos Silva

 

OUI.

 

E o título em português deixa muito a desejar, do original «celle que vous croyez» passou a «Clara & Claire». Tirando este detalhe, um filme que merece muito a pena ser visto, mas apenas por pessoas com disponibilidade para cinema europeu. Quem gosta do registo 'holywoodesco' com ritmo, acção e diálogos assertivos, não terá grande paciência para este filme, atribuindo-lhe até o galardão de 'valente estopada'.

 

Não foi o meu caso. Eu saí da sala de cinema, lívida, ainda mais do que é costume. Silenciosa, apática, confusa e com a certeza que aquela é uma história comum nos nossos dias. Pessoas que usam as redes sociais, nomeadamente o facebook, para criar perfis falsos. Dessa atitude aparentemente sem gravidade, surgem situações que podem comprometer a vida de muitas pessoas. Uma mentira dita muitas vezes, passa a ser verdade, pelo menos na cabeça de Claire de 50 anos e cujo o peso da idade lhe custa a carregar. Uma mulher charmoso, inteligente, professora universitária e que sempre ouviu os maiores elogios aos seus atributos fisicos. Olha-se agora ao espelho e vê-se de pele baça, pálpebras descaídas, olheiras profundas e resolve ser Clara, uma linda mulher de 25 anos. 

 

 

Aceitar quem somos e no que nos vamos transformando faz parte do nosso percurso de vida, penso que lhe chamam, aprendizagem. Mas a aparente bem sucedida e bem resolvida Claire não aceita, e  não faz questão de aprender, por isso transforma-se num embuste que leva até às últimas consequências.

 

Recomendo muito «Clara & Claire» porque raras vezes saio da sala de cinema sem piu, e até meio azamboada, quando isso acontece é sinal de que vi um excelente filme. Tive exactamente os mesmos sintomas quando deixei a sala depois de assistir a 'Joker'. Atenção, não estou a dizer que são filmes semelhantes. Apesar da doença mental estar presentes em ambos os casos, são universos diferentes e também por isso, um não invalida o outro. Todo o filme que nos acrescenta merece o nosso dinheiro na compra do bilhete e este não é desperdicio. 

14
Jan20

Quando vi o arco-iris pela última vez?

Cláudia Matos Silva

 

Faz pouco tempo, mais ou menos pela altura em que encontrei este post do blog UM PÁSSARO SEM POISO da Isa Nascimento. Guardei-o para 2020, sabia que queria muito falar sobre isso. Porque apesar deste lindo arco-iris que vos mostro na foto ser o mais recente, e estar enquadrado numa bela paisagem na Carrasqueira, não foi este o arco-iris que teve mais impacto em mim.

 

Vamos recuar quatro anos. Eu estava por esta hora no sexto piso de um prédio na Rua do Viriato. Parecia um dia como qualquer outro, e embora eu sentisse que as coisas não estavam bem, a minha vontade férrea de não ser derrotada por más energias, fazia de mim uma autistas entre os corredores de gente descontente. Eu também não estava contente mas vesti a pela da tola que nada via, nada ouvia, nada sabia...até ao dia que sou chamada ao quarto piso. É no quarto piso que tudo se decide. É lá que está a melhor máquina de café, é lá que estão os bufos e os que congeminam, é lá que estão os que se julgam 'the special ones' só porque partilham o mesmo piso com o DDMT (dono daquela merda  toda). Ainda vestindo a pela da autistas, fui tranquila ao quarto piso. Na ingenuidade, acreditava que me iam passar a mão pelo pêlo e dizer o quão especial eu era como funcionária; dedicada, incansável e versátil. 

 

Não foi bem isso que aconteceu. Sem saber porquê fui despedida. Houve desculpas esfarrapadas, conversa da treta, um gasto de latim tremendo que eu remato com um 'vamos lá preencher a papelada'. Sou prática e a conversa estava francamente enfastiar-me e eu só queria sair dali para chorar à vontade, nunca daria parte fraca ali dentro. NUNCA! Enquanto ali estive, naquela sala com uma grande carpete e uma mesa de madeira gigante devidamente envernizada, eu e o senhor a quem foi incubido 'o trabalho sujo' de me demitir, sentados num cantinho com uma conversa bizarra. Ele pedia imensas desculpas alegando nada pessoal e eu só dizia 'ó senhor Fernando, está tudo bem'. Não faço ideia quem era o individuo, a primeira e última vez que ouvi falar dele trataram-no por doutor, para mim um doutor é médico, e apesar de efectivamente ele me estar 'a tratar da saúde', reduzi-lhe a condição à de senhor da mercearia....o senhor Fernando. Assim foi até à última assinatura e até ele no desespero da situação dizer 'pronto, um dia secalhar até bebemos um café'. Pois claro, é isso mesmo.

 

Saí da Rua Viriato para nunca mais voltar porque sou assim de cortes radicais. Meti-me no carro, liguei aos meus, que ficaram aterrorizados e eu serena...nem uma lágrima. Estava bloqueada ou aliviada, não sei bem. Naquele dia fui almoçar fora e nem uma lágrima, mas um alivio nos ombros. Pensei, afinal isto não está a ser assim tão mau. É claro que não, o pior estaria para vir. Quando acordasse e me visse sem chão. A minha profissão de sempre já não era, a única coisa que sabia fazer, já não podia fazer. Então e agora? Nessa altura surge do nada um bonito arco-iris no ceu azul que atravessava Almada. Senti-me criança outra vez, como se fosse o primeiro arco-iris que tivesse visto. A verdade é que talvez pela primeira vez me tivesse permitido vê-lo, não só a ele, mas  tantas outras belezas que a natureza nos dá de mão beijada. Passei a apreciar flores, até fotografá-las, passei a colectar bonitas conchas na praia e a contemplar as copas das árvores. Sigo o voo dos pombos, que fazem uma bonita dança nos ceus, conduzidos por um som que não consigo descodificar.

 

 

E se o meu post terminasse desta forma, podia dizer-vos que estavamos perante um happy ending. Mas quatro anos depois de ter sido impedida de fazer a única coisa que sei fazer continuo a perguntar-me, então e agora? Não sei mesmo o que fazer! Sinto-me perdida, desalentada, com vontade de adormecer e não voltar a acordar. Mas tenho acordado sempre e enquanto assim for tenho de me obrigar a viver e às vezes é tão dificil. Por isso, um dia de cada vez, criando pequenos objectivos diários. Não há segredo nenhum. É como andar. Temos de colocar um pé em frente do outro, seguir em frente e com sorte ainda encontro mais um bonito arco-iris.

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