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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

17
Jul19

Partilhar nem sempre é preciso, percebem?

Cláudia Matos Silva

Vivemos a febre da partilha. Os stories, nomeadamente os do Instagram são disso prova, partilha-se freneticamente em real time. Mas há um momento, e se tivermos bom senso muito mais do que apenas um momento, em que percebemos que devemos guardar a informação para nós. Não se trata de egoismo mas de salvaguardar o bom trabalho desenvolvido por um grupo de pessoas que não irei mencionar. É guardar um segredo para que mais possam beneficiar do bom coração dessas pessoas e para que outros mal intencionados não metam o bedelho. Confusos? Eu explico.

 

Descobri há uns meses uma bonita e estimada comunidade felina, uma colónia de gatos, gatinhos e gatões. Todos de rua mas que encontram naquela bonita casa, construída com tanto esmero, o seu porto de abrigo. Às vezes quando calha em caminho dou lá uma espreitadela, é uma comunidade muito bem cuidada, com instalações de luxo e num local de excelência para que estes meninos sejam felinos à vontade sem grandes riscos, a não ser os perigos inerentes à condição de ser um bicho de rua. Aliás, alguns gatos têm sequelas, talvez lutas entre a própria comunidade, talvez algum incidente infeliz, mas é facto que todos eles se sentem em segurança naquele espaço. Um local que apenas apreciamos do lado de fora, não somos de todo convidados a entrar, mas se tivermos a sorte de um desses gatinhos se vir esfregar nas nossas pernas, sentimo-nos com o rei na barriga. Os gatos têm esse poder sobre nós, e talvez por receio desse encantamento que têm sob a espécie humana, muitos humanos não gostem deles, nem sequer tolerem a sua presença, quanto mais apoiar colónias ou comunidades.

 

E é só por essas pessoas de má fé que eu não divulgarei o local belissimo onde se encontram estes patudos. Porque receio que lhes possam fazer mal, como tantas vezes ouvimos há quem se entretenha a envenenar os animais da vizinhança. E se metessemos veneno dos ratos na sopa dos próprios vizinhos? Como seria? Seria monstruoso! Um crime! Então porque não há-de ser crime se o fizerem contra os animais? Com a importancia do PAN a crescer (o que tem vindo a incomodar alguns velhos do restelo), agrada-me saber que a lei está a mudar.

 

Eu percebo que nem toda a gente tem de gostar de animais, genuinamente entendo, mas aposto que quem não gosta deles também não cuida dos humanos com quem partilha o tecto. Secalhar não estão a ver a relação de uma coisa e outra, se assim for é porque não gostam nem de bichos, nem de gente. E está tudo bem, eu também não gosto de pessoas estúpidas e não é por isso que as atropelo nas passadeiras. 

08
Jul19

O que é a silly season?

Cláudia Matos Silva

 

É um estrangeirismo associado a este período de férias que devido à chegada do calor a imprensa em todo o mundo fica reduzida a assuntos patetas. A silly season é no fundo o estado de espírito de todos nós que molengas  pelo excesso de sol na moleirinha, não nos queremos dar ao trabalho de pensar muito. Por isso em termos de conteúdos superficais esta é definitivamente a época alta. Para a praia ninguém leva como leitura de verão 'Os lusíadas', se até já aqueles toalhas turcas enormes, pesadas, horrorosas e mal jeitosas estão a cair em desuso. Por isso, por essas praias de Portugal se vê ao longo do areal a chamada 'literatura light' ou cor-de-rosa; os suplementos do Correio da Manhã, a TVGuia,  a Maria, a Vip, a Caras e para pessoas de gostos mais requintados há pequenos almanaques com sopa de letras ou cruzadezes. No fundo mais não é preciso, quando o que nos importa realmente é ouvir  ao longe o pregão do homem das bolas, de berlim, bem entendidos. 

 

Em homenagem à silly season tantas vezes desprezada pelas elites intelectuais portuguesas aqui vai o meu video, lembrando que não seria silly at all, subscreverem o meu canal 'quem tramou a gordinha?'

 

E assim me despeço, eu uma silly o ano inteiro,  com cordiais cumprimentos.