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Quem Tramou a Gordinha?

Quem Tramou a Gordinha?

21
Out20

Porque apaguei o INSTAGRAM?

Cláudia Matos Silva

Foi um daqueles caprichos. Tanta gente a queixar-se da toxicidade das redes sociais, uns a defenderem um detox delas e outros continuando a usá-las viciosamente, e pensei, vou apagar a app do meu iphone. Que se lixe! Vou ver por quantos dias consigo ficar sem dar as caras e no quanto a minha vida vai mudar por ter tomado essa decisão.

 

Consegui quase 48 horas sem instagram, o que é bastante admirável, tendo em conta que eu passo o dia com o nariz colado ao monitor a 'scrollar' sem saber bem porquê ou em busca do quê, mas ali ando de dedo frenético a saltar de publicação em publicação, de storie em storie e no fundo a minha vida não sai do sofá. Uma dicotomia tremenda, através do instagram vou até ao outro lado do mundo, através das minhas próprias pernas vou a lado nenhum.

 

Não contem, porém, que venha dizer-vos que durante as 48 horas (mais coisa menos coisa, vá) em que estive sem consultar o instagram, a minha vida passou finalmente a fazer sentido e que o meu dia rendeu muito mais. Nada disso, foram 48 horas tão ou mais estupidas como as que tenho passado no Instagram. No entanto não considero esta experiência perdida, bem pelo contrário, consegui perceber que as redes sociais são o novo bode expiatório para os males do mundo. Nos anos 70/80 o mesmo se dizia da televisão e da terrivel influencia que tinha nas pessoas, nomeadamente nos mais jovens. 

 

O que compreendi nas tais 48 horas sem Instagram é que eu estou vazia, desesperançada, desapontada e em busca de uma saída para este estado de apatia. Posso mergulhar num livro ou numa rede social, é igual. O importante é mesmo tirar o cú do sofá e fazer-me à vida sem medo dos tombos que ela me vai provocar. Enquanto não perder o medo, por cobardia, lá sigo outra vez aquele scroll costumeiro no Instagram, sem rumo, deslizo os dedos no monitor...e a vida continua igual e estúpida.

09
Set20

Porque motivo se fala das mamocas da Sara?

Cláudia Matos Silva

Para quem não tem estado atento a Sara é uma bela mulher que recentemente ouviu da boca de um revisor da CP um piropo muito inconveniente. Disse o senhor entre um pobre sentido de humor e um toque de sedução barata 'ainda bem que não está frio senão as suas mamocas constipavam-se'. O azar do senhor é que a Sara conseguiu registar, com a ajuda do telemóvel, parte da conversa (que mais parecia uma desconversa) onde era acusada de andar a provocar os homens e não se apresentar em condições para frequentar transportes públicos. A Sara usava um vestido verde, num modelo que lembra o famoso vestido da Marilyn Monroe dançando ao vento na grelha do metro em NY.

 

 

O assunto viralizou e foi assunto dos principais meios de comunicação. Muitos acusam a Sara de querer benificiar com a polémica (e se assim for qual é o mal?!) e há até quem use da velha cartilha 'estava mesmo a pedi-las'. Custa-me ler tais comentários, saber que ainda hoje se promove o velho espírito do macho latino fanfarrão com a mesma naturalidade como se fala dos pasteis de nata aos turistas. É a cultura lusitana que se impõe aplaudem os velhos do restelo. 

 

 

A Sara Sequeira, modelo plus size, tem um peito voluptuoso que exibe em bonitos decotes com muito orgulho. No fundo  tem com os seus seios uma harmonia que nunca consegui, pelo menos até ter feito uma redução mamária. Fiz a redução porque o peito me pesava, mas sentia ainda mais urgencia em avançar com esse procedimento cirurgico, a cada comentário que escutava nas ruas. Ao contrário da Sara, os meus seios andavam bem escondidos, eu não tinha orgulho nenhum neles e só comecei a sentir um pouco de paz quando descobri os soutians redutores. Carissimos e comprados numa loja que encerrou portas em Portugal, Max & Spencer. Os redutores eram uma espécie de espartilho ou máquina de tortura das mamas e que me permitia passar meio despercebida entre as outras mulheres mas não o bastante. Mesmo temendo o ambiente hospitalar eu avancei para a redução mamária como quem sabe que vai libertar-se de uma sina. E libertei mesmo. Agora restam-me as cicatrizes que exibo com orgulho, uma espécie de medalha de guerra. Não estou com este relato a defender que se reduza o peito, eu reduzi e assumo sem qualquer pudor. Faria-o mil vezes se fosse preciso.

 

 

A verdade é que já me havia esquecido do impacto de ter um peito volumoso teve na minha adolescencia e inicio de idade adulta. Quando a história da Sara veio a público revivi episódios passados que há muito julgava mortos e enterrados.  E quando a Sara é acusada de querer vingar à custa de um episódio infeliz, revolto-me. Porque eu tive dezenas de episódios infelizes, tantos que me transtornavam ao limite das lágrimas. Não sabia como e onde viver quando o meu peito parecia ser a única coisa que as pessoas viam e comentavam com escárnio. Vesti durante anos camisas de homem, tamanhos muito acima do meu, tudo para que me deixassem em paz e só sosseguei quando finalmente reduzi o peito. No entanto a Sara assume os seus seios porque é estupido esconder algo tão bonito. Eu fui estupida e não tive puder de encaixe, para mim foi mais fácil ver-me livre do 'problema' e assrumar o assunto. Assumo alguma cobardia. 

 

Por isso não posso deixar de dar os parabéns à Sara pela forma como se apresenta, sem vergonha ou ansias de se esconder. A Sara Sequeira é uma mulher linda e ela sabe disso. Inteligente, usou das ferramentas ao seu dispor para denunciar o que ela chama de assédio, confesso que prefiro o termo importunação porque foi assim que me senti durante anos, importunada sem nada fazer para isso. Preferi esconder-me debaixo de um calhau para não ver o que se passava em meu redor. Passados tantos anos, o que eu vivi continua a acontecer e para a maioria parece que está tudo bem. Não, não está tudo bem. 

01
Set20

O que se passa com Tânia Laranjo?

Cláudia Matos Silva

Tânia Laranjo, jornalista da CMTV e uma das figuras mais mediáticas do canal, foi captada momentos antes de entrar em directo.

 

O problema é que a jornalista estava num tom informal com companheiro de reportagem. Notoriamente abalada e com a voz meio embargada lá foi trocando umas palavras com o operador de câmera que lhe dava a contagem para entrar 'no ar'. Alguém resolveu divulgar essas imagens, viralizando-as com memes que estiveram ao rubro este fim de semana nas redes sociais. Com a quantidade de inimigos que Tânia Laranjo tem colhido ao longo dos anos, devido ao seu trabalho jornalistico, fica dificil perceber a origem da onda de difamação que se gerou.

 

Tânia não é nova nestas andanças e saberá defender-se legalmente. De qualquer forma o momento é caricato mas para quem trabalha/ou em comunicação social sabe que nem sempre estamos no nosso melhor. A diferença desta profissão para todas as outras é que está à vista do país inteiro.

 

Apesar de ter feito este video no tom que me é caracteristico espero que esteja tudo bem com a jornalista.

13
Ago20

Afinal, a quem pertence o testículo?

Cláudia Matos Silva

 

Margarida Corceiro e João Felix têm sido um dos assuntos mais comentados nos últimos dias. As redes sociais viralizaram o testículo do ex-jogador do benfica porque a namorada, Margarida Corceiro, teve a imprudencia de publicar uma foto demasiado intima no seu Instagram. Em poucos segundos havia prints a circular pelo twitter e a actriz, apesar de apagar o story, já foi demasiado tarde. O testículo do seu João dava pano para mangas e muitos comentários originais e divertidos nas redes sociais. Num ano em que a desgraceira é total, ter uma notícias destas até que sabe bem e também não magoa nem envergonha ninguém. É só um testículo a desconfinar.

06
Ago20

BB 2020: Será que a Soraia foi a justa vencedora?

Cláudia Matos Silva

Apesar de se dizer que nestes concursos só ganham os coitadinhos, a Soraia é a justa vencedora da edição 2020 do Big Brother, e nela não veja uma coitadinha mas uma miúda que sabe estar. Foi esse sentido de bem saber estar em grupo, evitar os conflitos ou fazer-se de desentendida que lhe valeu os 50 mil euros. É um jogo arriscado, a Soraia podia ser entendida pelo público como 'mosca morta' ou alguém que não acrescentava nada à casa. E em termos de polémica, apesar de cá fora se iniciar um movimento que a defendia devido a alguns comentários infelizes sobre a sua forma fisica, o tema acabou por se diluir no que é verdadeiramente importante, o poder de encaixe da Soraia.

 

E dentro da casa do BB parece que se vive um micro-clima, uma pequena selva cheia de várias espécies de animais. Logo à partida diz-se que o Leão é o rei, e nesta edição do BB (como acontece em todos os Reality shows) houve quem quisesse assumir a juba do felino e  ser líder. No entanto, nesta casa não houve lideres, e até os grupos se revelaram frágeis e nada ágeis na hora de tentar manipular as nomeações. Sem surpresa, ganhou a Soraia, apesar de muitos torcerem pela Noélia ou pelo Diogo. Três concorrentes mal amados dentro da casa e admirados fora dela. Todos fizeram o seu jogo, a Noélia em jeito de formiguinha trabalhadora, o Diogo uma espécie de mocho na penumbra mas sempre atento e observador. Ainda no reino dos animais, a Soraia talvez tenha sido uma topeira, meio distraída, ingenua,  mas sorrateiramente enquanto todos dormiam ela escavava o caminho para a vitória. Bem sei que a topeira não é o animal mais glamoroso, digno de uma vencedora (houve tantos potenciais leões que acabaram a miar fininho) e sim o cheque é da toupeira, bichinha focada e dedicada. 

 

50 mil euros são daquela que parecia que nada via, nada ouvia, nada sabia. É preciso talento para ser topeira, especialmente para concorrentes que sofrem de claustrofobia. Agora fora desse buraco negro, sê livre e respira o ar da vitória. Parabéns Soraia! Uma recomendação, deixa lá a topeira, mete essa juba em grande evidencia (sim deixa de usar essas perucas farçolas), assume a liderança da tua própria vida e deixa de pedinchar amor. 

28
Jul20

Porque é que este ano não vou de férias?

Cláudia Matos Silva

 

Apesar de tudo não me sinto confiante nem motivada. Desperdiçar dinheiro numa altura em que tudo anda a meio gás e nos restaurantes vemos a confusão estampada na cara dos funcionários. Neste período, das poucas vezes que jantei fora, senti-me desapontada. Serviço pobre, comida mediana e uma inevitável tensão no ar. Há quem use máscara, há quem não use, é literalmente ao gosto do freguês. Para evitar mais embaraços e situações stressantes tomei a decisão de passar o Verão em casa e usufruir dos espaços ao ar livre nas redondezas. Nas horas de maior calor, revejo imagens antigas de férias felizes em sitios lindos no nosso país. Se ainda não foram a Aljezur ou a Sagres são visitas obrigatórias. 

 

 

27
Jul20

Quem é Bruno Candé?

Cláudia Matos Silva

Bruno Candé foi até aos 39 anos um actor de teatro, cujo pano caiu sobre si como numa tragédia, no Sábado passado. Candé  foi morto com 4 tiros em plena luz do dia no centro de Moscavide por um idoso de 80 anos. Os motivos? Não havia realmente motivos, logo se diz serem futeis.  É como se o facto de não irmos com a cara de alguém nos desse a legitimidade de a matar. Entre estas duas pessoas terá havido uma troca amarga de palavras. O Bruno lá continuou com a sua vida, já o idoso tinha sede de vingança. É claro que a maior parte das pessoas prefere colocar esta situação na categoria crime racial. É bem possível que o assassino fosse racista, como de resto são muitos da sua geração (perdoem-me a generalização), é possível que até tenha estado na guerra do ultramar e por isso veja os negros como seres inferiores. É possível que sofresse de algum trauma pós guerra ou que simplesmente odiasse o mundo inteiro porque este país não é mesmo para velhos. Mas nada desculpa o fundamental nesta história, a morte de um jovem indefeso. O que aconteceu Sábado passado foi bárbaro e leva-me a crer que nenhum de nós está a salvo. Quem será a próxima vitima? 

22
Jul20

Será que uma mulher sozinha está mesmo a pedi-las?

Cláudia Matos Silva

Hoje conto-vos a história de uma mulher irreverente mas cujos valores familiares se impõe acima de tudo. Ela move-se pelas suas paixões, manias e caprichos. É dificil entendê-la, é por isso comum, que as opiniões sobre ela se extremem. Podem apontá-la como extremamente humana e justa ou só uma valente cabra insensível. Uma coisa é certa, falo de uma mulher extraordinária a quem acontecem coisas extraordinárias. Adora contar as suas histórias com alguma dramatização pelo meio, revirar de olhos e trejeitos exagerados. Desta vez o semblante estava pesado e disse-me que não tinha vontade nenhuma de falar do assunto.

 

Num domingo como qualquer outro na praia das 9 da manhã às 8 da noite, havia todas as condições para um dia fantástico. Daqueles que só come, dorme e nada, descansando o corpo e a mente das responsabilidades que carrega todos os dias. Ela tem ombros largos e estrutura forte, é daquelas pessoas com uma resistencia fora de série, uma pessoa descontinuada porque já não fazem mais senhoras com esta fibra. Isso não quer dizer que não sinta como toda a gente e que não se melindre com as situações do dia a dia. A verdade é que, o episódio que partilho não deveria acontecer nunca, aposto no entanto, que as mulheres que me estão a ler já se terão deparado com isto, em moldes mais ou menos parecidos, mas na essência iguais.

 

Vamos lá. Havia terminado mais um domingo de praia, dirigia-se para o parque de estacionamento para calmamente se compor. Já dentro da viatura vê uma sombra junto do vidro (que por sorte estava fechado) e quando olha vê um exibicionista que de calções de banho coloridos exibia uma tremenda erecção que quase trespassavam os calções. Ela assustou-se, é no entanto forte, e não deu parte fraca. Manteve a calma e não voltou a olhar. Ele continuava encostado à janela massajando o membro enquanto ela, no topo da sua elegancia, continuava a ignorar. Deu à chave, o carro começou a trabalhar e partiu deixando para trás uma situação absolutamente perturbadora. Não queria falar disso, denunciar ou fazer alarido. Só queria esquecer mas não conseguia. Pergunta-me 'mas porquê eu?'!  Enquanto continuarmos a temer estas pessoas, a encolher-nos e a não falar do assunto, seremos cada vez mais as mulheres assediadas moralmente desta forma asquerosa. Porquê ela, então e porquê eu?!

 

A mim, particularmente, isto já me aconteceu duas vezes. O crime foi perpetrado por pessoas aparentemente normais e em sitios de uso comum como por exemplo dentro da carruagem do metro em Lisboa. Tal como ela eu não queria falar do assunto, e na altura vi-me completamente apeada, sem ninguém a quem pudesse recorrer porque para todos os efeitos seria a minha palavra contra a de um senhor que podia ser contabilista numa empresa de renome.  Na altura fiz-me a mesma pergunta 'porquê eu' e foi fácil encontrar a resposta; eu estava sozinha, ela estava sozinha. e tu, costumas andar sozinha? Até quando isto nos vai continuar a acontecer?

17
Jul20

Então Jesus, porque vais voltar?

Cláudia Matos Silva

Será pela família, pelo Covid, para fugir ao escândalo com a advogada brasileira ou pelo benfica? Eu diria que é por tudo isto mas no topo do bolo não está a cereja mas o 'pilim' e que atire a primeira 'padrada' quem nunca se moveu pelos carcanhois. Afinal o mundo gira em torno do dinheiro e por mais que tentemos romantizar uma vida onde nos alimentamos de amor e poesia a verdade é que, a não ser que tenhamos um caso com o padeiro ou o peixeiro, ninguém escapa ás suas despesas. 

 

De qualquer forma, há muito que acredito que, Jesus nunca quis sair de Portugal, e aquela historieta com o Sporting foi uma marretada não só na carreira mas na vida pessoal do treinador. No fim das contas, o que estava reservado para Jesus era muito mais do que se imaginava. E depois de andar pelas arábias, faz-se rei das américas. Não tivesse ele o nome do divino, podia ter levantado um certo mau estar entre os brasileiros que ainda não esqueceram a imagem do colono português. Ora Jesus, não foi colonizar o futebol brasileiro, bem pelo contrário, potenciou o talento de quem já sai da passarinha da mãe a sambar, a dar toques de bola e a beber água de coco. Assim é o brasileiro, um portento seja nas artes ou no desporto, Jesus meteu ordem no Flamengo e foi quanto bastou para aquela malta começar a ganhar trofeus.

 

Podem espantar-se, porque raio escrevo um texto sobre um treinador de futebol? É estranho, confesso que sim, não ligo nada a futebol mas diz-se que sou do Sporting. Já sabemos que Jorge não teve sorte no clube verde e branco, mas sabe-se (de acordo com a CMTV) que irá regressar ao velho continente para comandar os destinos do clube da águia.

 

Este video já foi gravado há um tempo, ainda o Covid não fazia parte do nosso dicionário. Sempre desconfiei que o JJ estava com o cu no ar para voltar aqui para o burgo. Digam o que disserem há lá melhor sitio para viver que nesta chafarica a que chamaram de Portugal.

 

O treinador com mais de 60 anos é para mim a prova de que nunca é demasiado tarde para alcançarmos os nossos sonhos. É por isso que escrevo estas linhas sobre alguém ligado ao futebol e que na verdade me diz muito pouco enquanto pessoa ou profissional. Não posso, no entanto, ignorar que este era o tipo com quem toda a gente gozava, o rei das bacoradas, o que escarafuncha os dentes com a língua durante as conferencias de imprensa e que teve uma conversa surreal com a pintora Paula Rego. Gozámos com ele durante tanto tempo e nesta altura temos de nos vergar às evidencias, a idade fez-lhe bem. Como um bom vinho maturado, deu-nos a todos (e não falo de futebol) a esperança de que ainda vamos conseguir realizar os nossos sonhos. Porque no fundo o Jorge é só aquele tipo que nasceu na Amadora e que durante anos viveu na sombra para chegar a uma idade madura e mostrar que esteve sempre a trabalhar para o seu grande sonho. Trabalhemos nós para o nosso, porque não é tarde, e Jesus é disso prova.

06
Jul20

Que mal há na capa da Vogue PT deste mês?

Cláudia Matos Silva

 

Eu não vejo nenhum. Não vou discutir se a capa é bonita ou feia, mas gosto da pertinencia do tema, saúde mental. Muitas figuras públicas já vieram a público manifestar desagrado com a estética adoptada pela Vogue Portugal para falar de um assunto tão sensível. E têm razão, o assunto é sensível, mas enquanto continuarmos a falar dele como um bicho de sete cabeças as coisas não tendem a melhorar. É importante discutir o tema, portanto neste caso o que me importa mesmo é o conteúdo e não a forma. É uma capa que remete para as terríveis experiências de lobotomia e choques eléctricos relembra a crítica Rita Ferro Rodrigues, é bem verdade. Mas não podemos, nem devemos apagar da história esse facto, e tentar negar ou camuflar não ajuda em nada a problemática da doença mental. Aliás o facto de hoje se usar o termo 'saúde mental' já é uma evolução gigantesca, numa condição que nunca foi bem entendida e que durante séculos e séculos foi alvo de equívocos graves. Ainda hoje paira nas nossas cabeças a inevitável comparação a um doido quando alguém age de uma forma diferente para o seu tempo. E isto remete-me para um livro português baseado numa história real. 'Doida, não e não' de Manuela Gonzaga. Recomendo mesmo a leitura.

 

 

A história real de uma mulher que foi tida como doida por se apaixonar por um homem muito mais novo. Infelizmente a sua institucionalização deu-se com o apoio de pessoas importantes como Egas Moniz que pelos vistos estava mais preocupado em defender os interesses dos seus amigos poderosos do que do real estado da saúde mental dos pacientes. Há inúmeros casos relatados à época de pessoas nestas situações, internadas porque alguém entendia que eram inconvenientes, logo loucas.

 

Leva-me a perguntar, como se mede a loucura? A loucura não é matemática e não há dois casos iguais, como não há duas pessoas iguais. Se a loucura fosse uma equação de matemática secalhar eu nem estaria a abordar o tema, porque não seria tema, mas um facto, uma ciência exacta. Mas este é um assunto tão sensível, melindroso e do qual ainda se conhece muito pouco (apesar da imensa evolução) que acredito exercer temor perante muitos de nós. Não é por acaso que se diz 'nunca se contraria um maluco' porque nunca sabemos o que vai acontecer devido à imprevisibilidade do carácter do demente. Por isso gostava de dizer que este post não é para contrariar a opinião de ninguém, é apenas para tentar desmistificar algo que só por si tem tido ao longo dos séculos muita mistificação. Vamos falar das coisas como as conhecemos, como as sentimos, trocar ideias e perceber que não estamos sós neste terrível estado do loucura colectiva a que o Covid 19 nos está a levar.